ADMINISTRAÇÃO APOSTÓLICA

DEDICAÇÃO DAS BASÍLICAS DE SÃO PEDRO E SÃO PAULO

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DEDICAÇÃO DAS BASÍLICAS DE SÃO PEDRO E SÃO PAULO

III classe

Tal como no dia 9 de novembro a Igreja do Ocidente comemora a dedicação da arquibasílica de São João de Latrão e, no dia 5 de agosto, a de Santa Maria Maior, hoje celebra a dedicação das outras duas grandes basílicas patriarcais de Roma, no seu conjunto, a de São Pedro e a de São Paulo. O sangue dos mártires correu em muitos lugares, mas nenhum mais venerável do que a parte da colina do Vaticano consagrada pelo sangue do Príncipe dos Apóstolos e enriquecida com as suas relíquias.

Importância destas basílicas – São João Crisóstomo diz:

“Os túmulos dos servos de Cristo crucificado são mais importantes que os palácios dos reis, não pela grandeza e beleza dos edifícios (embora nisso também às vezes os superem), mas por outras razões de maior importância, como, por exemplo, a multidão daqueles que a eles chegam com alegria e devoção. Porque o próprio imperador visita os túmulos dos mártires, vestido de púrpura, beija-os humildemente prostrados no chão e pede aos santos para intercederem por ele. O homem que usa a coroa considera uma graça muito grande que um fabricante de tendas e um pescador, já falecidos, sejam seus protetores e defensores e pede essas graças com muita determinação”.

Martírio de São Pedro – Segundo a tradição, o martírio de São Pedro ocorreu nos jardins de Nero, no Vaticano onde foi construído o circo de Calígula e, afirma-se que ele foi sepultado nas proximidades. Alguns autores sustentam que, no ano de 258, as relíquias de São Pedro e São Paulo foram transferidas temporariamente para uma catacumba pouco conhecida, chamada catacumba de São Sebastião, a fim de evitar a profanação. Seja como for, as relíquias regressaram posteriormente ao local onde anteriormente foram encontradas e, no ano 323, o imperador Constantino começou a construir a Basílica de São Pedro sobre o suposto túmulo do Apóstolo. Essa magnífica igreja permaneceu substancialmente idêntica durante dois séculos.

Contrução da nova basílica – Aos poucos, vários edifícios que pertenceram aos Papas foram erguidos ao lado dela, ao pé da Colina do Vaticano. Os Romanos Pontífices estabeleceram ali a sua residência após o exílio de Avinhão. Em meados do século XV, a antiga basílica começou a revelar-se insuficiente. Em 1506, o Papa Júlio II inaugurou a nova basílica projetada por Bramante. A construção durou cento e vinte anos. O projeto original sofreu modificações consideráveis, por conta de vários Papas e arquitetos, especialmente Paulo V e Michelangelo. A nova Basílica de São Pedro, como se vê hoje, foi consagrada por Urbano VIII em 18 de novembro de 1626, aniversário do dia da primeira dedicação. O altar-mor está construído sobre o túmulo de São Pedro, redescoberto em 1942. Embora a Basílica de São Pedro seja inferior em dignidade à de São João de Latrão, sempre foi a igreja mais importante da cristandade, tanto de fato como no coração da Católicos.

Martírio de São Paulo – O martírio de São Paulo ocorreu a cerca de onze quilômetros do de São Pedro, em Aquae Salviae (atual Tre Fontane), na Via Ostiense. O corpo foi enterrado a três quilômetros de distância, na propriedade de uma senhora chamada Lucina, dentro de uma pequena tumba. Segundo Eusébio (História Ecl., n, 25, 7), um sacerdote romano chamado Caio disse, referindo-se aos túmulos de São Pedro e São Paulo: “Posso mostrar-te os troféus (túmulos) dos Apóstolos. Se vais ao Vaticano ou na estrada para Ostia, verás os troféus dos fundadores desta igreja”. Diz-se que Constantino também começou a construir uma basílica sobre o túmulo de São Paulo. No entanto, a grande igreja de São Paulo Fora dos Muros foi construída principalmente pelo Imperador Teodósio I e pelo Papa São Leão Magno. Esta igreja preservou a sua beleza e simplicidade originais até 1823, ano em que foi consumida por um incêndio.

Construção da nova basílica – Cristãos e não-cristãos em todo o mundo ajudaram a cobrir os custos da reconstrução. No decorrer da obra foi descoberto um túmulo do século IV com a seguinte inscrição: “Paulo Apost. Mart”. (“A Paulo, Apóstolo e Mártir”); mas o túmulo não foi aberto.

A nova basílica, que é uma imitação da antiga, foi consagrada pelo Papa Pio IX em 10 de dezembro de 1854, mas, como observa o Martirológio Romano, a data de hoje foi marcada para a comemoração.

Por que construímos igrejas? – Santo Agostinho disse:

“Não construímos igrejas nem consagramos sacerdotes, não realizamos ritos nem sacrifícios aos Mártires, porque o nosso Deus é o Deus dos Mártires e não os próprios Mártires. Nenhum dos fiéis jamais ouviu aum sacerdote dizer diante do altar erguido sobre o corpo de um Mártir para honrar e adorar a Deus: ‘Oferecemos sacrifícios a ti, Pedro, ou Paulo, ou Cipriano…’ Não construímos igrejas aos Mártires como se fossem deuses. As igrejas são simplesmente memórias daqueles que já morreram e cujas almas vivem com Deus. E não erguemos os altares para oferecer sacrifícios aos Mártires, mas ao seu Deus e ao nosso Deus”.

(BUTLER Alban de, Vida de los Santos: vol. IV, ano 1965, pp. 377-379)

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(Sábado) 2:01 pm - 2:01 pm