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MATERNIDADE DE NOSSA SENHORA

11outAll DayMATERNIDADE DE NOSSA SENHORA

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MATERNIDADE DE NOSSA SENHORA

II classe

O TÍTULO DE MÃE DE DEUS – Entre todos os títulos de louvor prestados a Nossa Senhora não há nenhum mais glorioso do que o de Mãe de Deus. Ser Mãe de Deus é a razão de Maria, o segredo das suas graças e dos seus privilégios. Para nós este título contém em substância todo o mistério da Encarnação; e não há outra pela qual possamos felicitá-la e alegrar-nos com mais razão.

Santo Efrém pensava precisamente que, para dar uma prova certa da sua fé, bastava-lhe confessar e acreditar que a Bem-Aventurada Virgem Maria é a Mãe de Deus. E é por isso que a Igreja não pode celebrar nenhuma festa da Virgem Maria sem louvá-la por este augusto privilégio. Na sua Imaculada Conceição, na sua Natividade e igualmente na sua Assunção, saudamos sempre a Santa Mãe de Deus. E é precisamente isso que fazemos também ao repetir a Ave Maria tantas vezes ao dia.

A HERESIA NESTORIANA – “Theotokos, Mãe de Deus”: assim foi chamada Maria em todos os momentos. Fazer a história do dogma da maternidade divina seria fazer toda a história do Cristianismo. O nome Theotokos penetrou de tal forma no espírito e no coração dos fiéis que um enorme escândalo surgiu no dia em que diante de Nestório, bispo de Constantinopla, um sacerdote, seu porta-voz, teve a audácia de fingir que Maria não era a Mãe mais só de um homem, porque era impossível que um Deus nascesse de uma mulher.

Mas então um bispo ocupou a cátedra de Alexandria, São Cirilo, a quem Deus suscitou para defender a honra da Mãe de seu Filho. Imediatamente tornou pública a sua surpresa: “Espanta-me que haja homens que duvidem que a Santíssima Virgem possa ser chamada Mãe de Deus. Se Nosso Senhor é Deus, como é que Maria, que o deu ao mundo, não o é Mãe de Deus? Esta é a fé ‘que os discípulos nos transmitiram, embora não usassem este termo; é também a doutrina que os Santos Padres nos ensinaram”.

O CONCÍLIO DE ÉFESO – Nestório não admitiu nenhuma mudança em suas ideias. O imperador convocou um Concílio, que abriu suas sessões em Éfeso em 22 de junho de 431; São Cirilo presidiu-a, como legado do Papa Celestino. 200 bispos reunidos; Proclamaram que “a pessoa de Cristo é una e divina e que a Santíssima Virgem deve ser reconhecida e venerada por todos como verdadeiramente Mãe de Deus”. Ao ouvir esta notícia, os cristãos de Éfeso cantaram cantos de triunfo, iluminaram a cidade e acompanharam às suas casas os bispos com tochas “que tinham vindo – gritavam – para nos devolver a Mãe de Deus e ratificar com a sua santa autoridade o que foi escrito em todos os corações”.

E, como sempre acontece, os esforços do diabo serviram apenas para preparar e realizar um magnífico triunfo para Nossa Senhora; os Padres do Concílio, segundo a tradição, para memória perpétua acrescentaram esta cláusula à Ave Maria: “Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós, pecadores, agora e na hora de nossa morte”: uma oração que foi recitada desde então por milhões de almas para reconhecerem em Maria a glória da Mãe de Deus que um herege quis tirar.

A FESTA DE 11 DE OUTUBRO – Em 1931, quando se celebrou o XV centenário do Concílio, Pio XI pensou que seria “útil e agradável aos fiéis meditar e refletir sobre um dogma tão importante” como o da maternidade divina. Para que houvesse um testemunho perpétuo da sua piedade a Maria, escreveu a Encíclica Lux Veritatis, restaurou a basílica de Santa Maria Maior em Roma e instituiu também uma festa litúrgica, que “contribuiria para o aumento da devoção à Soberana Mãe de Deus entre o clero e os fiéis, e apresentaria a Santíssima Virgem e a Sagrada Família de Nazaré como modelo para as famílias”, para que a dignidade e a santidade do matrimónio e a educação dos jovens sejam cada vez mais respeitadas.

Nas festividades de 1º de janeiro e 25 de março, tivemos a oportunidade de refletir sobre o que implica para Maria a sua dignidade de Mãe de Deus. O tema, por assim dizer, é inesgotável: ainda hoje podemos fazer uma pausa por mais alguns momentos.

MARIA EXTERMINADORA DAS HERESIAS – “Alegra-te, ó Virgem Maria, porque só tu destruíste todas as heresias em todo o mundo”. Esta antífona da Liturgia demonstra claramente que o dogma da maternidade divina é o apoio e a defesa de todo o cristianismo. Confessar a maternidade divina, vale tanto como confessar, no Verbo Encarnado, a natureza humana e a natureza divina, e também a unidade da pessoa; é afirmar a distinção das Pessoas em Deus e a unidade de sua natureza; é reconhecer toda a ordem sobrenatural da graça e da glória.

MARIA É COM TODA VERDADE A MÃE DE DEUS – Agora é fácil reconhecer que Maria é verdadeiramente a Mãe de Deus.

“Se o Filho da Santíssima Virgem é Deus, escreveu Pio XI na sua Encíclica Lux Veritatis, a que o gerou deve ser chamada Mãe de Deus; se a pessoa de Jesus Cristo é uma Pessoa divina, não cabe dúvida nenhuma que todos devem chamar Maria Mãe de Deus e não só Mãe de Cristo-homem… Da mesma forma que outras mulheres são chamadas de mães, e realmente o são, porque em seu ventre se formaram nossa substância caduca e não porque criaram a alma humana. Assim a Virgem alcançou a maternidade divina pelo fato de ter gerado a única pessoa de seu Filho”.

CONSEQUÊNCIAS DA MATERNIDADE DIVINA – Daqui derivam a graça especial de Maria e a sua dignidade suprema depois de Deus como de uma fonte misteriosa e viva. A Bem-aventurada Virgem Maria tem uma dignidade quase infinita, diz São Tomás, e provém do bem infinito que é Deus. Cornélio a Lapide explica estas palavras assim: “Ela é Mãe de Deus: supera, portanto, em excelência todos os Anjos, Querubins e Serafins. Ela é a Mãe de Deus: é, portanto, a mais pura e santa de todas as criaturas e, exceto Deus, não é possível imaginar maior santidade do que a da Santíssima Virgem. Ela é a Mãe de Deus: portanto, seu privilégio lhe foi concedido antes que qualquer privilégio da ordem da graça santificante fosse concedido a qualquer Santo”.

DIGNIDADE DE MARIA – Este privilégio da maternidade divina relaciona Maria com Deus numa relação tão particular e tão íntima que não existe dignidade criada que possa ser comparada à dela. Esta dignidade coloca-a em relação imediata com a união hipostática e a faz entrar em relações íntimas e pessoais com as três Pessoas da Santíssima Trindade.

MARIA E JESUS – A maternidade divina une Maria ao seu Filho com um vínculo muito mais forte do que o das outras mães em relação aos seus filhos. Não são estes os únicos que intervêm na geração, enquanto a Virgem Santa foi quem produziu o seu Filho, o Homem-Deus, da sua própria substância, Jesus é fruto da sua virgindade. Ele pertence à sua Mãe porque ela o concebeu e deu à luz no tempo, alimentou-o com o leite virginal dos seus seios, educou-o, exerceu sobre ele a sua autoridade materna.

MARIA E O PAI – A maternidade divina liga Maria ao Pai de uma forma que não pode ser expressa em palavras humanas. Maria tem o próprio Filho de Deus como seu Filho; imita e reproduz no tempo a geração misteriosa pela qual o Pai gera a seu Filho na eternidade. E é assim que acontece a cooperadora do Pai em sua Paternidade: “Se o Pai nos deu provas de afeto sincero, disse Bossuet, porque nos deu seu Filho como Mestre e Salvador, o amor inefável que ele sente por te, ó Maria, o fez conceber muitos outros planos a nosso favor. Ele providenciou para que fosse tanto seu quanto dele; e, para formar uma associação eterna contigo, Ele queria que fosse a Mãe de Seu Filho Unigênito e Ele o Pai do teu [Filho]”.[1]

MARIA E O ESPÍRITO SANTO – A maternidade divina também une Maria ao Espírito Santo, pois pelo Espírito Santo ela concebeu o Verbo em seu ventre. Leão XIII chama Maria de: Esposa do Espírito Santo[2]. E Maria é o seu santuário privilegiado pelas maravilhas de graça sem precedentes que aquele Espírito divino operou nela.

“Se Deus está com os santos, conclui São Bernardo, está com Maria de um modo muito particular; porque, entre Deus e ela, a conformidade é tão perfeita que Deus se uniu não só à sua vontade, mas também à sua carne, e da sua substância e da substância da Virgem, Ele fez um só Cristo; Cristo, embora não proceda no que é, nem completamente de Deus, nem completamente da Virgem, no entanto, não deixa de ser completamente de Deus e todo da Virgem; porque não há dois filhos, mas um só, que é de Deus e da Virgem. Por isso o Anjo disse: ‘Ave, Maria, cheia de graça, o Senhor é contigo’. Está contigo não só o Senhor Filho, a quem revestis com a tua carne, mas também o Senhor Espírito Santo, de quem concebes, e o Senhor Pai, que gerou aquele a quem concebes. O Pai está contigo e faz com que seu Filho seja teu: o Filho está com contigo e, para realizar o mistério admirável em ti, abre teu ventre milagrosamente para Si, mas respeitando o selo de tua virgindade; o Espírito Santo está contigo e juntamente com o Pai e o Filho santifica o teu seio. Certamente o Senhor está contigo”.[3]

 

(GUERANGER Dom Prosper, Año Litúrgico: tomo V, ano 1954, pp. 588-596)

 

[1] Sermão sobre a devoção à Santa Virgem.

[2] Encíclica Divinum munus, 9 de maio de 1897.

[3] III Homilia super Missus est.

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