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NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃO APARECIDA

12outAll DayNOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃO APARECIDA

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NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃO APARECIDA

Rainha e Padroeira Principal do Brasil

I classe

Os primeiros habitantes do vasto vale do Paraíba, entre a Serra do Mar e a Serra da Mantiqueira, vale banhado pelo famoso rio Paraíba do Sul[1], eram, sem dúvida, os Tamoios, pertencentes a grande família Tupi.

Os nomes mesmos das cidades que pelo vale surgiram – Mogi ou Rio das Cobras, Jacareí, ou Rio dos Jacarés, Caçapava, ou Clareira na Mata, Taubate, ou Aldeia Grande – os nomes mesmos bem estão a indicar que os primeiros povoadores do vale eram os índios.

Mais de duzentos anos depois da descoberta do Brasil, as viagens entre São Paulo de Piratininga e São Sebastião do Rio de Janeiro, bem como as idas e vindas que viajantes, mascates e mercadores, empreendiam daquelas cidades a Minas, eram viagens que se faziam de modo irregularíssimo, penosas e grandemente demoradas.

[ENCONTRO DA IMAGEM]

Em outubro de 1717, foi encontrada a prodigiosa Imagem de Maria nas águas do Paraíba. O achado, é fato histórico, prendeu-se a uma viagem, a viagem que fazia Dom Pedro de Almeida, Conde de Assumar, Governador e Capitão-General de São Paulo e Minas Gerais.

Narra desta maneira o Guia dos Romeiros[2] o sucesso:

“O sítio, onde hoje se ergue a Basílica de Nossa Senhora, distante de Guaratinguetá (ou Garças) alguns quilômetros, chamava-se simplesmente Morro dos Coqueiros. Havia por ali pouquíssimos moradores, dentre os quais podemos nomear Domingos Martins Garcia, João Alves e Filipe Pedroso, os afortunados pescadores que encontraram a prodigiosa Imagem.

O fato deu-se do modo seguinte: Em outubro de 1717, por ali tinha de passar, de São Paulo para Minas Gerais, Dom Pedro de Almeida, conde de Assumar, nomeado pela Corte Governador dessas Províncias. Sabendo que o ilustre hóspede e sua comitiva se deliciariam com uma mesa bem servida de saborosos peixes, a Câmara de Guaratinguetá ordenou aos pescadores da redondeza que saíssem a pescar e trouxessem todo o peixe que conseguissem apanhar.

Os três pescadores principiaram a lançar suas redes no porto de José Correia Leite, continuando até o porto de Itaguaçu, bem distante, sem tirar peixe algum. Foi quando João Alves ai lançou sua rede e tirou o corpo da Senhora, sem a cabeça; lançando mais abaixo outra vez a rede, tirou a cabeça da mesma Senhora.

João Alves, homem, sem dúvida, religioso, envolveu-a respeitosamente num pano, depositou-a na sua canoa e continuou a lançar a rede. Daquele momento em diante, a pesca foi de tal modo abundante, que ele e os companheiros, receosos de naufragar, devido à enorme quantidade de peixes, retiraram-se para suas casas, narrando a todos, cheios de espanto, o que lhes acontecera.

Filipe Pedroso, ao que parece, o mais afeiçoado à pequena Imagem, conservou-a em sua casa durante uns quinze anos. Indo, mais tarde, morar no Itaguaçu, deu a Imagem a seu filho Atanásio Pedroso, o qual lhe fez um altarzinho ou oratório de madeira, onde a colocou. Era ali que, todos os sábados, reuniam-se os vizinhos “para cantar o terço e mais devoções”. Foi também ali que se deu o prodígio, várias vezes repetido, das velas que se apagavam e, sem intervenção de ninguém, de novo irradiam.

No lugar histórico, onde apareceu milagrosamente a Imagem de Nossa Senhora Aparecida, foi, mais tarde, erigida uma cruz comemorativa e, num ponto pouco mais elevado, uma Capela, em cujas paredes externas se liam os nomes dos três felizes pescadores que encontraram a Imagem da Imaculada, hoje venerada como Padroeira do Brasil”.

[CONSTRUÇÃO DA IGREJA]

Passados alguns anos, como era grande o concurso das gentes, tornou-se imperiosa a construção duma igreja. A capela, visitadíssima, não mais comportava as multidões que vinham visitar a Virgem e orar.

Era então vigário de Guaratinguetá o Padre José Alves de Vilela, que dirigiu requerimento ao Bispo do Rio de Janeiro, Dom Frei João da Cruz[3], no qual solicitava licença para erguer uma igreja sob a invocação de Nossa Senhora da Conceição Aparecida. Era em 1743, e aos 5 de maio daquele mesmo ano, a licença era concedida.

“O local escolhido, diz o Guia já citado, para a construção da igreja foi com o Morro dos Coqueiros. Com prazer os proprietários fizeram a doação do terreno necessário para o patrimônio e, em 1744, foram iniciadas as obras com tão grande animação que, aos 26 de julho de 1745, festa de Sant’Ana, o vigário Padre José Alves Vilela pode benzer a igreja e inaugurá-la, celebrando a Santa Missa.

Conforme o costume daquele tempo, apenas construída a igreja, constituiu-se uma irmandade leiga para zelar por ela. O Bispo de São Paulo, Dom Frei Antônio da Madre Deus, aprovou o Compromisso dessa Irmandade aos 25 de maio de 1756. Durante quase cem anos, não se fizeram na igreja melhoramento de vulto.

Em março do ano de 1842, foi Aparecida elevada à freguesia, pela Assembleia Legislativa de São Paulo, mas, como não se encontraram no lugar pessoas competentes para os cargos de juiz de paz, escrivão, etc., em março de 1844, a mesma Assembleia, por nova lei, suprimiu a freguesia.

Durante cem anos, serviu de cemitério o pátio da igreja; em 1843, porém, resolveu-se localizar o cemitério atrás da igreja, no terreno onde hoje se acha a Casa de Noviciado São Carlos. Naquele tempo, não havia por ali habitações, a não ser o casarão para romeiros, e a menos de cinquenta metros começava a capoeira. Ruas, não as havia, mas somente alguns caminhos mal conservados em direção à capela de Santa Rita”.

A igreja, todavia, não era de construção sólida, não fora alevantada, como muitas, para desafiar os tempos, de modo que, em menos dum século as torres e o frontispício ameaçavam ruir.

Ficou, assim, resolvido que haviam de construir de novo as torres e o frontispício. Iniciados os trabalhos em julho de 1843, por morosidade, em virtude da falta de recursos e materiais, as duas torres foram concluídas, uma no ano de 1846, e a outra em 1848.

Os indígenas, primitivos habitantes do país, desconheceram animais domésticos: não possuíram, pois, veículos puxados por tração animal; nem usaram troncos que fizessem de rodas, para transportar o que quer que seja. Os meios de transportes que usaram foram igaras, igarités, ubás, tosquíssimas embarcações movidas a remo.

Destarte, foram os rios as primeiras vias de transportes utilizadas no Brasil. Embora não possuíssem veículos nem animais de carga, os índios abriram estradas, ou seja, precaríssimos trilhos de penetração para o interior.

Os descobridores e colonizadores de nossa terra, localizaram-se no litoral. Com o passar dos anos, o povoamento da terra buscou o interior, tomando os trilhos que os indígenas utilizavam na penetração do sertão bruto. Tais trilhes, selvagens trilhos, palmilhados pelos colonizadores, foram as primitivas estradas do Brasil.

Com a expansão colonial e a descoberta das minas, novas estradas surgiram. É o caso do Caminho Novo, que levava a Minas Gerais, a primeira grande via de transporte do Brasil daquele período de colonização.

No início do século XIX, foi aberta a estrada conhecida pelo nome de Estrada do Comércio, construída por preposta feita, no ano de 1811, pela Real Junta de Comércio, e aprovada pelo Príncipe Regente, Dom João VI. Saía da antiga vila de Iguaçu e ter minava à margem do rio Paraíba. O interessante desta estrada, diga-se de passagem, era o trecho, na serra de Tinguá, de quase dois quilômetros, que era calçado a pedra.

Também no século passado, foi construída a primeira grande via carroçável do Brasil, a Estrada União e Indústria, devido a iniciativa de Mariano Procópio Ferreira Lage, homem de negócios na Capital.

Mariano Procópio foi deputado pela Província de Minas Gerais e diretor da Estrada de Ferro, Centrai do Brasil, na época Estrada de Ferro Dom Pedro II. Graças aos esforços desse homem de visão, os trilhos daquela estrada foram prolongados até o território mineiro.

A 29 de março de 1858, foi inaugurada a segunda ferrovia do país (a primeira foi a Estrada de Ferro Mauá, construída por Irineu Evangelista de Sousa, depois Visconde de Mauá): a já citada Central do Brasil. Estendia-se da Corte até Queimados, ligando Engenho Novo, Cascadura e Maxambomba.

Com o correr dos anos, transpondo as serras por meio de rampas, ou varando-as peles túneis, as estradas de ferro, partindo da costa, alcançaram o vale do Paraíba do Sul.

Notável foi o pregresso que a Estrada de Ferro Central do Brasil levou a Aparecida. Era em 1877. A estação foi batizada com o nome de Aparecida e tudo entrou a mudar de aspecto.

Naquele mesmo ano de 1877, chegava a Aparecida Frei Joaquim do Monte Carmelo, nascido na Bahia.

Em janeiro do ano seguinte, apresentou Frei Joaquim à Mesa Administrativa uma proposta de construção do corpo da igreja. A planta, examinada pela Mesa, foi aceita e, assim, aprovada a proposta.

As obras foram iniciadas quase que imediatamente, e, “pelo fim do ano o Padre construtor demonstrou que era imprescindível construir também a Capela-mor, com suas dependências. A Mesa concordou. A construção foi concluída em fevereiro de 1888. As despesas elevaram-se a cento e noventa e cinco contos de réis.

No dia 8 de dezembro de 1888, Dom Lino Deodato de Carvalho[4], bispo de São Paulo benzeu e inaugurou solenemente a atual igreja de Nossa Senhora Aparecida. Frei Joaquim do Monte Carmelo, terminadas as obras da igreja, regressou ao seu mosteiro na Bahia”.

[SANTUÁRIO EPISCOPAL E CHEGADA DOS REDENTORISTAS]

Mais tarde, ou seja, em 1893, Dom Lino concedeu ao Curato o título de Episcopal Santuário de Nossa Senhora da Conceição Aparecida. Em novembro, no dia 18 do mesmo ano, foi nomeado capelão o Padre Claro Monteiro do Amaral. Tendo tomado posse aos 23 daquele mês, permaneceu no Curato até 1895. E o Santuário, em virtude das graças e favores que os fiéis, constantemente, alcançavam, ia-se tornando mais conhecido, pois, mais procurado. Desta maneira, como não houvesse sacerdotes que cuidassem do bem espiritual dos romeiros, o bispo de São Paulo, Dom Lino, amoroso filho da Senhora Aparecida, desejando para o serviço religioso do Santuário um número mais elevado de padres, teve a ideia de ali formar uma comunidade de religiosos missionários.

Naquele tempo, era bispo coadjutor de São Paulo, Dom Joaquim Arcoverde de Albuquerque Cavalcanti.[5] Em 1894, quando duma viagem a Roma, de Dom Lino recebeu a incumbência de obter uma comunidade de verdadeiros missionários para Aparecida. O bispo coadjutor, vencendo todas as barreiras, acabou por conseguir que o Superior Geral dos Redentoristas aceitasse a nova fundação.

A 28 de outubro do mesmo 1894, chegavam os primeiro Redentoristas. O bom bispo Dom Lino Deodato não pôde ver aqueles que iriam, por primeiro, reger o Santuário: como vimos em nota 4, falecia a 19 de agosto.

Assim, o último capelão secular de Aparecida foi o já citado Padre Claro Monteiro do Amaral. O primeiro capelão-cura redentorista foi o Padre José Wendel, que exerceu as funções durante dez meses, tendo como sucessor o Padre Gebardo Wiggermann, que foi nomeado Superior da comunidade religiosa e Visitador. E Aparecida, a pouco e pouco, ia-se transformando, tornando-se, tanto para os moradores do lugar, como para os romeiros, um centro excepcional de piedade e reflorescimento espiritual.

De 1817 a 1894, a devoção a Nessa Senhora Aparecida transpusera, mais ou menos, as fronteiras paulistas. Com a chegada dos redentoristas, porém, grande impulso material, principalmente espiritual, entrou a engrandecer a cidadezinha. É que as notícias do lugar, antes levadas por este ou aquele que vinha visitar Nossa Senhora, eram agora propagadas pelo jornal de Maria – o Santuário de Aparecida – fundado em 1900.

Em 1895, no Livro do Tombo, houve em Aparecida cerca de três mil comunhões. Oito anos mais tarde, ou seja, em 1903, aquele número elevou-se para dezesseis mil. Com as viagens cada vez mais fáceis, não havia quem não desejasse visitar a Senhora.

E os atos religiosos mais regulares e atraentes e as maiores comodidades que os romeiros podiam desfrutar, iam concorrendo admiravelmente para que as gentes de São Paulo e de outros Estados fossem levadas às visitas e ao cumprimento de promessas, promessas que, antes, iam-se contemporizando, o que não convinha.

Em 1904, surgiu o Manual do Devoto de Nossa Senhora Aparecida, grande devocionário que os Redentoristas publicaram carinhosamente.

[SOLENE COROAÇÃO DA IMAGEM]

As grandes romarias tiveram começo em 1900. Dom Alvarenga, bispo de São Paulo, no dia 8 de setembro, compareceu em Aparecida com mil e duzentos peregrinos. Doutra feita, de Guaratinguetá, foram visitar o Santuário perto de cinco mil pessoas.

Dom Joaquim Arcoverde, deixando o Rio de Janeiro com mil romeiros, pessoas da alta sociedade, chegou alegremente em Aparecida a 16 de dezembro de 1900.

Desde então, as romarias tornaram-se frequentes e quase ininterruptas. Várias cidades dos Estados de São Paulo e Minas Gerais organizam romarias a Aparecida todos os anos. Na Capital bandeirante há igrejas matrizes que, reunindo anualmente os paroquianos, dirigem-se ao, Santuário em visita a Maria.

Atualmente é comum encontrar-se na cidade ladeirenta, à antiga, de Aparecida, romeiros vindos dos pontos mais distantes do país, tais como do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Bahia e outros Estados, em caminhões, de trem, de automóvel, nas antiguíssimas, desconfortáveis e sacolejantes jardineiras, que ainda as há por este Brasil afora, e em grande quantidade. “Que sacrifícios não fazem os devotos de Nossa Senhora Aparecida, para chegar a lugar tão privilegiado!”

“Nos Anais de Aparecida encontram-se fatos memoráveis que não podem ficar esquecidos” – diz o Guia.

E cita:

“A solene coroação da Imagem de Nossa Senhora Aparecida, em 1904, é um desses acontecimentos.

Em 1903, os senhores Bispos pediram ao Santo Padre Pio X a faculdade de coroar solenemente a Imagem milagrosa de Nossa Senhora Aparecida, comemorando o quinquagésimo aniversário da definição dogmática da Imaculada Conceição. A faculdade foi concedida e a solenidade foi marcada para 8 de setembro de 1904.

Naquele dia, que foi um dos mais notáveis para Aparecida, achavam-se presentes o Núncio Apostólico, o Arcebispo do Rio de Janeiro, onze bispos, um representante do Presidente da República, muitos dignitários eclesiásticos, sacerdotes, religiosos e enorme multidão de povo. O Senhor Núncio celebrou a Missa Pontifical. Dom João Braga fez o sermão e rezou com o povo o ato de consagração. Dom José de Camargo Barros benzeu a coroa, e entoou o Regina Caeli e depositou a coroa sobre a frente da veneranda Imagem”.

Aparecida, então, estava engalanada. De todas as casas, dos antigos casarões, dos quais ainda existem vários, flutuavam bandeiras, sobressaiam-se coroas maravilhosas de flores, e dos balcões dos velhos sobradões do tempo do império, pendiam adamascados magníficos. E as ruas todas, enfeitadas, eram uma festa para os olhos.

Foi cantado o Te Deum. Inaugurou-se o belíssimo monumento da Imaculada, erguido na praça do Santuário.

“À tarde, saiu soleníssima procissão com assistência do Senhor Núncio Apostólico e de todos os bispos, sendo a Imagem carregada por monsenhores e cônegos. À entrada da procissão, fez eloquente oração Dom João B. Correia Nery, então bispo de Pouso Alegre.

O dia 8 de setembro, aniversário da Coroação, vem sendo celebrado todos os anos com grande pompa e numeroso concurso de fiéis”.

[ELEVAÇÃO A BASÍLICA]

A 29 de abril de 1908, o Santo Padre Pio X, agora elevado à honra dos altares, concedeu ao Santuário de Nossa Senhora Aparecida o título e a dignidade de Basílica.[6] No dia 2 de janeiro de1910, chegaram à Basílica ·as relíquias de São Vicente, mártir, que jazem num nicho, debaixo do altar-mor.

“O ano de 1917 – conta-nos o Guia dos Romeiros, belíssimo trabalho do Doutor Mário de Assis Moura, com Prefácio do insigne brasileiro e grande devoto de Nossa Senhora Aparecida, Doutor Altino Arantes – o ano de 1917, segundo Centenário do encontro da veneranda Imagem, foi um ano de homenagens extraordinárias a Nossa Senhora Aparecida. O papa Bento XV concedeu indulgência plenária, em forma de jubileu, aos que visitassem a Basílica.

Durante um ano (11/5/1917 a 11/5/1918), houve Reza solene diariamente, Missa cantada todos os sábados e, nos primeiros domingos, Missa solene e Procissão de Nossa Senhora Aparecida. Foi um dos mais movimentados em romarias e visitantes que acorreram para ganhar o jubileu.

Em setembro de 1929, vigésimo-quinto aniversário da Coroação da Imagem milagrosa, celebrou-se em Aparecida um Congresso Mariano, ao qual assistiram vinte e cinco arcebispos e bispos e avultado número de sacerdotes do clero secular e regular. Nas sessões e manifestações públicas, foi sempre externado o desejo unânime de que Nossa Senhora Aparecida fosse declarada Padroeira de todo o Brasil”.

[PADROEIRA DA NAÇÃO BRASILEIRA]

Brevemente ia concretizar-se aquele desejo do povo brasileiro, e a alegria dos habitantes desta terra de Santa Cruz ia ser imensa.

“O episcopado, ensina-nos o utilíssimo Guia do Doutor Assis Moura, apresentou, pois, ao Santo Padre Pio XI esse pedido, sendo o mesmo acolhido com muito agrado. No dia 16 de julho de 1930, o grande Pio XI assinou o decreto pontifício que declarou e proclamou Nossa Senhora da Conceição Aparecida, Padroeira da Nação Brasileira. Diz o decreto: Por motu proprio e por conhecimento certo e madura reflexão Nossa, na plenitude de Nosso poder apostólico, pelo teor das presentes letras, constituímos e declaramos a Beatíssima Virgem Maria concebida sem mancha, sob o título de APARECIDA, PADROEIRA PRINCIPAL DE TODO O BRASIL diante de Deus. Concedemos isto para promover o bem espiritual dos fiéis no Brasil e para aumentar cada vez mais a sua devoção à Imaculada Mãe de Deus.

A alegria do povo brasileiro foi indescritível. E na Basílica Nacional foi, imediatamente, realizada a CONSAGRAÇÃO SOLENE A NOSSA SENHORA APARECIDA.

Entretanto, diz o Guia, o cardeal Dom Sebastião Leme[7], arcebispo do Rio de Janeiro, quis promover, na Capital Federal, a proclamação solene do Padroado e a Consagração do Brasil a Nossa Senhora Aparecida, escolhendo para isso o dia 31 de maio de 1931.

Em preparação para essa solenidade memorável, realizou no Rio de Janeiro um Congresso Mariano, que excedeu em brilhe todas as expectativas”.

Tudo preparado, no dia 30 de maio, em trem especial, que se compunha dum carro que se chamou carro-capela e de mais três vagões para passageiros, a Imagem rumou para a Capital, acompanhada de Dom Duarte[8], de cônegos do Cabido de São Paulo, de muitos sacerdotes e comissões da Capital e de Aparecida.

“Em todas as cidades do itinerário esperavam os sacerdotes e o povo com velas acesas, foguetes e banda de música; até nas pequenas estações o trem tinha de parar e, mesmo à beira da estrada, viam-se inúmeras pessoas ajoelhadas, assistindo à passagem de Nossa Senhora Aparecida.

Dizem todos que a chegada e permanência de Nossa Senhora no Rio, foi um triunfo sem igual. A procissão partindo da Catedral, levou três horas e meia para chegar à Esplanada do Castelo”.

Naqueles dias festivos, Dom Sebastião Leme enviou ao papa, entusiasmado, o seguinte telegrama:

“Multidão, cerca de um milhão de pessoas, presença vinte e cinco bispos, Núncio Apostólico, membros, Corpo Diplomático, Presidente da República, autoridades civis e militares, instituições religiosas e civis, classes populares, levou triunfo Imagem Padroeira. Mãe povo Brasileiro. A cidade inteira, representando Nação, jurou fidelidade Cristo-Rei, adesão Santa Sé, Romano Pontífice, cuja bênção implora todo Brasil genuflexo, vibrante alma religioso povo fiel, generoso e bom minha Capital.”

A volta da Imagem de Maria Aparecida à sua cidade do Vale do Paraíba foi outra apoteose. Era o 1.9 de junho, e a população toda do lugar comparecia em peso na estação da Central do Brasil e ruas próximas, para recepcioná-la e acompanhá-la de volta à Basílica.

Em 1942, quando o Congresso Eucarístico Nacional de São Paulo, a Capital bandeirante recebeu-a em fac-símile. A Senhora Aparecida, Padroeira do Congresso, foi alvo de extraordinárias homenagens.

Igualmente, os Congressos do Recife e de Belo Horizonte tiveram Nossa Senhora Aparecida a presidi-los.

Em 1948, na oportunidade do Congresso Eucarístico Nacional de Porto Alegre, foi também a Imagem fac-símile de Nossa Senhora Aparecida levada à capital do Rio Grande do Sul, por estrada de rodagem. As homenagens enternecedoras que Maria Santíssima recebeu pelo caminho foram infindas.

“Grandes têm sido os triunfos da Padroeira do Brasil, assevera o Guia dos Romeiros. Não só nestas ocasiões extraordinárias, mas, continuamente, aqui e acolá, nas missões, nos congressos, nas grandes solenidades que se celebram nas sedes episcopais e nas paróquias. Nossa Senhora Aparecida, em toda a parte, é homenageada e fervorosamente invocada pelo nosso povo, que goza da sua proteção e recebe as suas bênçãos”.

Dom José Gaspar de Afonseca e Silva foi bispo auxiliar de Dom Duarte e a ele sucedeu no governo da arquidiocese de São Paulo. Morto, prematuramente, num desastre, em 1943, Dom José, que tinha projetos grandiosos para realizar em Aparecida, o desejo ardente de iniciar a construção da nova Basílica que, queria, fosse a maior da América Latina, foi levado por Deus. Assim, nem sequer pode principiar as obras do futuro templo.

Depois de sua morte, choradíssima, a arquidiocese de São Paulo ficou por quase dois anos sem pastor. A Santa Sé, então, nomeou Arcebispo Metropolitano Dom Carlos Carmelo de Vasconcelos Mota. Transferido do Maranhão, de São Luís; veio para São Paulo.

Dom Carlos, antes de tomar posse do cargo, esteve em Aparecida, e ali, com unção, implorou as bênçãos da Padroeira. Primeiro Cardeal de São Paulo, Sua Eminência tem trabalhado com denodo e sem esmorecimento para levar avante o plano de Dom José Gaspar.

A nova Basílica virá contribuir grandemente para o conforto das multidões que acorrem a Aparecida. O pequeno templo já não mais comporta o número elevado de peregrinos. O atual, já bem adiantado, assenta-se numa colina mais próxima do decantado porto de Itaguaçu, onde a Imagem de Maria apareceu.

No dia 10 de setembro de 1946, o Cardeal Manuel Gonçalves Cerejeira, de Portugal, com a presença dos nossos dois cardeais, e a do representante do Presidente da República, com o governador do Estado, e muitos bispos, grande número de sacerdotes e uma infinidade de fiéis, procedeu a bênção da Primeira Pedra da nova Basílica Nacional.

A planta do templo foi confiada ao arquiteto Benedito Calisto de Jesus Neto. Tendo elaborado o ante-projeto, recebeu o louvor e a aprovação da Comissão Pontifícia de Arte Sacra.

A maquete, belíssima, “que figurou na Exposição Vaticana do Ano Santo, em Roma, foi muito  admirada e julgada a mais importante e original obra de arquitetura religiosa da atualidade”.

[CARTA PASTORAL DE 1945]

Verdadeira exaltação a Maria é a Carta Pastoral, de 1954, que damos, a seguir, aos leitores, de Dom Carlos Carmelo de Vasconcelos Mota, Cardeal Presbítero da Santa Igreja Romana, do Título de São Pancrácio, Arcebispo Metropolitano de São Paulo:

“Na excelsa transcorrência da efeméride litúrgica da Anunciação do Arcanjo a Maria Santíssima, 25 de março, dia da Encarnação do Verbo e da Maternidade Divina, apraz-Nos anunciar aos nossos amados Diocesanos paulistas a magna solenidade do Primeiro Congresso da Padroeira do Brasil, Nossa Senhora da Conceição Aparecida. E, outrossim, convidá-los, todos, a participarem, espiritualmente e pessoalmente, deste acontecimento que visa comemorar, triplicimente, o Jubileu de Ouro da Coroação da Taumaturga Imagem Aparecida Nossa Senhora da Conceição, Mãe de Deus e Nossa; o Centenário do Dogma de sua Imaculada Conceição, em filial obediência à Encíclica Fulgens carona do Santo Padre Pio XII, de 8 de setembro de 1953; e o quarto Centenário da Fundação de São Paulo de Piratininga.

Se quem viveu em São Paulo o dia 25 de janeiro de 1954, reviveu quatrocentos anos da história cívica e religiosa de Piratininga, simbolizados na inauguração da monumental Catedral Metropolitana, bem esperamos que os piedosos devotos de Nessa Senhora Aparecida, que tiveram a ventura de participar do próximo Congresso da Celestial Padroeira de todo o Brasil, hão de rememorar e comemorar condignamente todos os milênios da Sagrada Mariologia, ou os fulgurantes capítulos da nova Eva, preconizada por Deus no Éden.

Como escrevemos alhures, os filhos bem-nascidos e espiritualmente bem formados exultam sempreem conhecer a vida da criatura abençoada que lhes deu o ser e o materno leite e amor de mãe.

Se assim é na ordem natural, mormente na ordem sobrenatural ou na ordem da vida da graça.

Aquela que é a Mater Divinae Gratiae tem todo o direito ao mais sublime amor e ao mais acendrado culto por parte de todos os verdadeiros cristãos, regenerados pelo divino sangue do Salvador dos homens. Pois esse sangue redentor, Cristo o recebeu de seio imaculado e sempre virgem de Maria: Mariae, de qua natus est Jesus, qui vocatur Christus.

A salvação moral e espiritual da cristandade descansará perenemente na proteção superna de nossa Mãe do Céu, tal qual em seus braços maternais descansava o próprio Salvador, Jesus, e Cristo Filho de Deus Vivo.

A devoção a Nossa Senhora é a salvaguarda da fidelidade religiosa do nosso povo; e, para cada um de nós, o penhor da conquista do Paraíso.

Para sermos verdadeiros e bons brasileiros, havemos de ser fiéis devotes da Mãe de Deus e Nessa.

Em seus braços veio Jesus para pós; em seus braços iremos nós para Jesus.

Os dois Congressos Marianos realizados em Aparecida, um em 1904, para a Coroação da Imagem Milagrosa e, em comemoração do Dogma da Imaculada Conceição, outro em 1929, para o Jubileu comemorativo dos vinte e cinco anos da Coroação Litúrgica da referida Imagem, não tiveram ainda o caráter de Congresso da Padroeira do Brasil. Porque só a 16 de julho de 1930 foi Nossa Senhora Aparecida oficialmente proclamada Padroeira do Brasil por MOTU PROPRIO do Santo Padre Pio XI, e com a assinatura do então Cardeal Pacelli, Secretário de Estado de Sua Santidade.

A convocação do Primeiro Congresso Mariano da Padroeira do Brasil está concretizada na MENSAGEM dirigida do Rio de Janeiro, em data de 15 de outubro de 1952, por todos os Senhores Arcebispos Metropolitanos do Brasil a teclo o Episcopado, Clero, Religiosos e Fiéis. Foi deliberação da primeira reunião da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil.

Nessa MENSAGEM lê-se que: A 8 de dezembro de 1954, o mundo cristão vai comemorar o primeiro centenário da proclamação do Dogma da Imaculada Conceição da Bem-aventurada Virgem Maria, Mãe de Deus e Mãe Nossa.

Rainha dos Céus e da Terra, Maria Imaculada quis ser, especialmente, ·a Mãe do Povo Brasileiro, aparecendo na humildade de uma pequenina e devota Imagem, numa predestinada curva do Rio Paraíba, no porto de Itaguaçu, em São Paulo, no Mês do Rosário de 1717.

Desde logo cercada pela piedade carinhosa de nossa gente, a Senhora da Conceição Aparecida acolheu o amor filial do Brasil, multiplicando favores taumaturgos, extraordinários benefícios espirituais e temporais.

Envolvida nas redes que a levantaram das águas – Prisioneira de amor dos nossos corações – em torno da Imagem querida teceram-se preces e romarias, desde o lar cristão de Atanásio Pedroso, que viu as primeiras peregrinações e os primeiros prodígios, e desde a Capela do Padre José Alves de Vilela – substituída pela atual igreja (ou Basílica Nacional, a partir de 1908) – até as primeiras orações e louvores que já se começam a erguer à Padroeira do Brasil, no local da futura e monumental Basílica, cuja primeira pedra foi lançada a 1º de setembro de 1946, em cerimônia presidida pelo Eminentíssimo Cardeal Gonçalves Cerejeira e assistida pelos dois Cardeais do Brasil.

No cinquentenário da Imaculada Conceição, acedendo ao pedido dos Senhores Bispos Brasileiros, Sua Santidade, o Beato Pio X, mediante o Cabido Vaticano, distinguiu a veneranda Imagem da Senhora Aparecida com a solene Coroação, que se realizou a 8 de setembro de 1904, oficiada por Dom José de Camargo Barros, numa das festas mais concorridas e mais lembradas da história de Aparecida.

Por ocasião do Jubileu de Prata da Coroação, em 1929, os Senhores Bispos da Província Eclesiástica de São Paulo reuniram-se em Aparecida, solenizando com um Congresso Mariano a efeméride e determinando que, todos os quartéis de século, a comemoração fosse recordada com as pompas de um novo Congresso, em torno da Virgem Aparecida.

A 16 de julho de 1930, todos os corações brasileiros receberam com insopitada alegria a desejada palavra do Santo Padre Pio XI, declarando Nossa Senhora da Conceição Aparecida PADROEIRA DO BRASIL.

E a 31 de maio do ano seguinte, 1931 , o Eminentíssimo Cardeal Dom Sebastião Leme organizou no Rio de Janeiro o maior triunfo de Nossa Senhora em nossa terra, levando a querida Imagem até a Capital Federal, a fim de realizar a Consagração da Pátria à Rainha e Padroeira do Brasil.

Ainda, a 14 de julho de 1945, por ocasião de angústia e sobressalto nacional, a milagrosa Imagem peregrinou até a Capital Paulista, onde, na sempre memorável Noite de Nossa Senhora, abençoou a decisão cristã do Povo Brasileiro, na defensiva contra os Sem Deus, Em 1950, ano jubileu, todo o Brasil exultou com o Dogma Mariano da Assunção.

É essa Magna Assembleia que temos o prazer e a honra de anunciar, convidando para o Congresso Mariano Nacional de 1954 todos os Excelentíssimos e Reverendíssimos Senhores Bispos, o Reverendíssimo Clero e Fiéis, a fim de trazer, numa expressiva comunhão de preces e louvores, a alma de nossa Pátria genuflexa ante a Virgem Santíssima, para agradecer os favores já recebidos e exarar novas mercês para a Nação Brasileira, que de todo lhe pertence.

Ó Senhora da Conceição Aparecida, mostrai que sois a Padroeira da nossa Pátria e a Mãe querida do Povo Brasileiro! A bençoai, defendei, salvai o vosso caro Brasil!”

“E assim terminava a Mensagem da Conferência Nacional dos Bispos, com as palavras que estão gravadas sob os pés da Imagem na Basílica.”

[RECORDANDO]

Continuando, com um Parágrafo intitulado Recordando diz Dom Carlos Carmelo:

“Foi no meado do Mês do Rosário, outubro de 1717, que, no Vale Mariano do Rio Paraíba, nas águas do porto de Itaguaçu, da paróquia de Guaratinguetá, deu-se o evento milagroso da Imagem Aparecida de Nossa Senhora da Conceição.

O então vigário de Guaratinguetá, Padre José Alves de Vilela, deixou registrado no Livro do Tombo dessa sua privilegiada paróquia, um interessantíssimo relato de como a Imagem fora colhida pelas redes abençoadas do feliz pescador João Alves, que tinha por companheiros Domingos Martins Garcia e Filipe Pedroso.

É de justiça ressaltar a benemerência desse sacerdote virtuoso e culto que, durante os primeiros trinta anos, cuidou zelosamente da devoção a Nossa Senhora Aparecida.

Por iniciativa sua, com -outros devotos, erigiu primitiva ermida, por ele mesmo, posteriormente transplantada e transformada em capela digna deste nome, cito no próprio local em que, cem anos mais tarde, construir-se-ia a majestosa igreja que é agora Basílica Nacional. A capela, benzera-a ele a 26 de julho de 1745 justamente no ano da criação do Bispado de São Paulo, pela Bula Candor lucis aeternae.

A data precisa do aparecimento da Imagem é, em boa conjectura, 17 de outubro de 1717, pois que foi este dia, como consta oficialmente, o da chegada de Dom Pedro de Almeida Portugal, Governador e Capitão-General de São Paulo e Minas, à Vila de Guaratinguetá. Ora, é sabido que os pescadores, quando retiraram a Imagem das águas do Paraíba, estavam pescando por ordem do Senado da Câmara Municipal para oferecer o peixe à mesa do Governador, insigne hóspede da Vila.

O Barão de Brasílio Machado, grande católico e literato paulista, escreveu, em 1909, interessante trabalho crítico sobre a questão da data autêntica do aparecimento da Imagem. O seu trabalho tem por título: A BASÍLICA DA APARECIDA, e por subtítulo: CONTRIBUIÇÃO PARA UMA DATA HISTÓRICA.

Para esse fato histórico, firmou ele, como certos, o ano de 1717 e o mês de outubro, e, como provável, o dia 12 do referido mês.

Agora, entretanto, desde que a REVISTA DO SERVIÇO DO PATRIMÔNIO HISTÓRICO E ARTÍSTICO NACIONAL, número 3, de 1939, revelou o DIÁRIO DA JORNADA, de Dom Pedro de Almeida, não resta mais dúvida deque no dia 17 de outubro foi quando chegou o Governador e Capitão-General à zona da atual cidade de Aparecida, transitando de São Paulo para Minas, em 1717.

Em 1718, o emérito Governador e Capitão-General era agraciado por Dom João VI com o título de Conde de Assumar, mais tarde, foi Vice-Rei da índia e também Marquês de Castelo Novo e Marquês de Alorna.

Fora sempre um cristão fervoroso, homem de oração e de comunhão, notável homem de letras.

É de ressaltar que, desde 1709 até 1720, São Paulo e Minas Gerais constituíam uma só Capitania, eclesiasticamente pertencente ao Bispado do Rio de Janeiro. Assim era, pois, quando do aparecimento da Imagem.

O culto à Imagem de Nossa Senhora Aparecida, durante os primeiros vinte anos, foi prestado no próprio sítio de Itaguaçu, dali se transferindo para onde se instalou, mais tarde, a sede da paróquia de Aparecida, no Morro dos Coqueiros, onde está a Cidade atual.

Era em Itaguaçu que, todos os sábados, reunia-se a gente da vizinhança a cantar o terço, o ofício litúrgico popular e outros louvores a Nossa Senhora. Oxalá que tão belo exemplo de piedade de nossos antepassados não seja nunca jamais esquecido na tradição das famílias católicas de nossa Pátria!

Ao Santuário de Nossa Senhora Aparecida poderíamos aplicar o texto do Eclesiástico: ‘Sicut nebula texb omnem terram et thronus meus in columna nubis. A moda de neblina cobri toda a terra, e o meu trono está entre colunas de nuvens’.

As colunas de nuvens que habitualmente encapotam a Serra da Mantiqueira na zona de Aparecida, e os nevoeiros da garça, tão frequentes na Paulicéia, traduzem bem o texto do Eclesiástico supramencionado, aplicado à Imagem e à Basílica da Celestial Padroeira do Brasil.

A propósito da festa litúrgica de Nossa Senhora Aparecida: celebrava-se ela, de princípio, no dia 11 de maio; transferiu-se, depois, para 7 de setembro, a pedido do Episcopado no Concílio Plenário Brasileiro; e, desde o ano passado[9], está fixada aos 12 de outubro, dia da descoberta da América e, portanto, data inicial do culto da Santíssima Virgem no nosso Continente. A fixação aos 12 de outubro foi concedida pela Santa Sé, por solicitação da CONFERÊNCIA NACIONAL DOS BISPOS DO BRASIL, reunidos no Congresso Nacional Eucarístico, em Belém do Pará. Aliás, fora verificado o inconveniente da celebração da festa de Nossa Senhora Aparecida, simultaneamente com os festejos do dia da Independência, visto as solenidades cívicas realizarem-se habitualmente pela manhã, à hora das Missas.

OS CONGRESSOS DE NOSSA SENHORA APARECIDA

Há duas preciosas Poliantéias comemorativas dos dois Congressos Marianos realizadas em Aparecida.

Uma referente à COROAÇÃO DE NOSSA SENHORA APARECIDA, em 1904, redigida por Monsenhor José Marcondes Homem de Melo; e outra DAS FESTAS JUBILARES DA COROAÇÃO, em 1929, editada pelos Padres Redentoristas residentes na Cidade de Aparecida.

O CONGRESSO DE 1904

O Congresso de 1904, ano jubilar do Dogma da Imaculada Conceição de Maria, fora deliberada pelo Episcopado da Província Meridional do Rio de Janeiro, em sua reunião em São Paulo, em 1901, quando foi também resolvida a Coroação da Imagem da Virgem Aparecida. Tudo constou da Pastoral Coletiva publicada a 12 de novembro do mesmo ano.

A Missa Pontifical da Coroação foi celebrada pelo Excelentíssimo Senhor Núncio Apostólico no Brasil, Arcebispo Dom Júlio Tonti, e o ato de Coroação oficiado por Dom José de Camargo, Barros, Bispo de São Paulo, a quem o Senhor Arcebispo do Rio de Janeiro, Dom Joaquim Arcoverde de Albuquerque Cavalcanti, comissionado pelo Cabido do Vaticano, gentilmente subdelegou a honrosíssima incumbência. Estavam presentes, além do Excelentíssimo Representante da Santa Sé, o Excelentíssimo Metropolita do Rio de Janeiro e mais doze Excelentíssimos Prelados.

O CONGRESSO DE 1929

O segundo Congresso foi oficialmente anunciado a 6 de maio de 1929, por ato do Excelentíssimo Senhor Dom Duarte Leopoldo e Silva, Arcebispo de São Paulo. E efetuou-se de 5 a 8 de setembro do mesmo ano, sob a presidência de Sua Excelência Reverendíssima e com a presença de mais vinte e quatro Prelados.

Do documento deixado pelo Excelentíssimo Metropolita Paulista, relativamente à devoção da alma brasileira a Nossa Senhora Aparecida e àquele seu segundo Congresso, citemos, por importantes, textuais palavras que nos parecem de flagrante oportunidade para o próximo PRIMEIRO CONGRESSO DA PADROEIRA:

É o Brasil católico ajoelhado aos pés da Imaculada Conceição, é a alma brasileira que, em protestos de fé, cimenta e consolida os sentimentos que trouxemos do berço da nossa Pátria. Quer em romarias, mais ou menos organizadas, quer em grupos de famílias ou em visitas isoladas, sempre características do filial amor que devotamos à Mãe Santíssima, quantos saem daqui levando para a vida novas energias; quantos se regeneram no batismo da penitência; quantos abençoam a feliz inspiração que os trouxe um dia aos pés de Maria Santíssima!

A Aparecida é no Brasil a terra predileta de Nossa Senhora. É o Santuário em que ela se compraz de derramar as suas bênçãos, consoando e acariciando, a uns fortalecendo-lhes a fé e a coragem cristã, a outros inspirando nobres e salutares resoluções, quantas vezes restituindo-lhes a saúde do corpo, sempre a saúde da alma aos bem intencionados e sinceramente arrependidos”.

“Foi o Segundo Congresso de Nossa Senhora Aparecida uma confirmação apoteótica das assertivas de sua Excelência, que posterior e jubilosamente, pode assim escrever:

Foram dias de Céu, dias que jamais se esquecem, como se não esquecem os carinhos maternais. Não foram apenas discursos e afirmações de fé; foi também, e principalmente, a prática da fé, no que ela tem de mais consolador e delicado – a carinhosa devoção à Senhora Aparecida, eleita e proclamada Rainha do Brasil.

Ainda as almas simples, as desse povo religioso e bom, que não sabe falar, mas sabe rezar, sentiam, como por instinto, que a Senhora Aparecida quer e deve reinar nos corações, nos lares, na família e na sociedade, em todos os recantos da Pátria estremecida, como Senhora absoluta de tudo quanto somos e de tudo quanto é nosso.

Este Santuário é água que satisfaz ao paladar do humilde e pequenino, e ao dos sábios; tanto atrai a devoção do caboclo do sertão, como a do gênio de Tomás de Aquino. Aqui na Basílica de Nossa Senhora Aparecida, reza-se pela paz do Brasil grandioso e unido.

Que Nossa Senhora Aparecida, doravante, e para sempre, Rainha incontestada, e Soberana do Brasil, conserve-nos a todos a unidade da fé na unidade inquebrantável da Pátria!”

“Irmãos nossos: Em consonância com os votos do primeiro e inolvidável Arcebispo de São Paulo, redigamos a popular antífona piedosamente entoada nas novenas da Aparecida: Senhor a Aparecida, – Milagrosa Padroeira! – Sede nossa guia – Nesta mortal carreira!

E confiemos que, sob as bênçãos da Celestial Padroeira, o Povo Brasileiro saberá guardar, ciosa e conscienciosamente, qual depósito sagrado e qual patrimônio nacional. as duas preciosíssimas relíquias – uma, relíquia da Igreja, que é a Imagem Aparecida da Padroeira; e outra, relíquia da Pátria, que é a colina histórica do Ipiranga, terra berço do Brasil Independente e Soberano. E o Auriverde Pendão da nossa terra há de sempre panejar glorioso à destra da Virgem no trono da Basílica Nacional.

PONTIFÍCIA PROCLAMAÇÃO DA PADROEIRA DO BRASIL

No mencionado e histórico documento de 6 de maio de 1929, o saudoso Dom Duarte cientificava que assentou o venerando Episcopado Brasileiro em pedir à Santa Sé se dignasse reconhecer e proclamar a milagrosa Virgem da Aparecida como Padroeira do Brasil, deste nosso Brasil que tanto amamos e queremos grande, glorioso e unido, sob a bandeira da Virgem Imaculada,

Pois bem: Aquiescendo paternalmente à patriótica e piedosa súplica do colendo Episcopado Nacional, houve por bem Sua Santidade, o Papa Pio XI, por MOTU PROPRIO de 16 de julho de 1930, oficialmente proclamar a Beatíssima e Imaculada Virgem Maria, sob o título de APARECIDA PRECÍPUA PADROEIRA DE TODO O BRASIL junto de Deus.

Eis as formais palavras da referida proclamação: ‘Motu proprio atque ex certa sciencia, ac matura deliberatione nostris, deque Apostolicae Nostrae potestatis plenitudine, praesentium Litterarum tenore, BEATISSIMAM VIRGINEM MARIAM SINE LABE CONCEPTAM, SUB TITULO DE APPARECIDA NUNCUPATAM, PRAECIPUAM APUD DEUM PATRONAM TOTIUS BRASILIAE, privilegiis liturgicis adnexis ceterísque honorificentiis, quae de more Patronis locorum principalium competunt, CONSTITUIMOS AC DECLARAMOS.

O NOSSO SANTO PADRE PIO XII E O PRIMEIRO CONGRESSO DA PADROEIRA

Como primeira e mais preciosa bênção de Maria Santíssima sobre o nosso Congresso e penhor seguro dos opimos frutos advindouros, é-Nos profundamente grato comunicar aos nossos diletos diocesanos que temos já a certeza da presença oficial de um Eminentíssimo Cardeal da Cúria Romana, Legado de Sua Santidade.

Assim, teremos, não só a aprovação e a bênção, mas também – e com que ufania nessa! – a própria augusta pessoa do Sumo Pontífice, na pessoa de seu Eminentíssimo Legado.

Registrar-se-á assim, pela primeira vez na história da Igreja no Brasil, a vinda de um Purpurado de Cúria ao País, como o mais insigne participante do Congresso Religioso.

O PRIMEIRO CONGRESSO DA PADROEIRA E O PROGRAMA DAS CONFERÊNCIAS

De alma e coração genuflexos em preces, auguramos que o PRIMEIRO CONGRESSO DA PADROEIRA seja uma apoteose de amor e de fé, empolgante entre os que mais o tenham sido em nossa Paulicéia; enquanto que entrelaçados estejam os bens brasileiros, presentes e ausentes, pelo elo da mais terna piedade mariana, a vinculá-los mais e mais nestas horas conturbadas que vive o mundo.

E então, de suas dadivosas mãos, a Virgem Imaculada – onipotência suplicante como é – fará jorrar sobre nós caudais de bênçãos; bênçãos que sejam luz para o nosso espírito em trevas de sobressaltos, que sejam força para a nossa vontade trepidante e quase a capitular, que sejam tranquilidade para a nessa consciência em desassossego, e que sejam vibrações de sadio entusiasmo para o nosso coração abafado e desiludido.

Mas se tanto almejamos de uma piedade que queremos muito sincera e profundamente arraigada em todos quantos habitam este Brasil de Nossa Senhora Aparecida, não nos pairam nem sequer visos de dúvida sobre a necessidade de um fortalecimento íntimo da doutrina mariológica, pois que uma é consequência da outra, ambas paralelas na vida do cristão; e, por isso, quanto mais perfeito for o conhecimento dos dogmas e privilégios de Maria Santíssima, tanto mais acendrado será, mais convicto e convincente, o amor à mesma Virgem Imaculada: Nihil volitum quin praecognitum.

Dai um programa de teses atualíssimas, concernentes do que mais precisamos saber ou recordar dentre tantas quantas prerrogativas exornam a alma privilegiada de nossa incomparável Mãe Celestial.

Confia das a personalidades de reconhecida autoridade na hierarquia eclesiástica, tais dissertações hão de, por certo, despertar o interesse dos assistentes, que todos, mais instruídos e melhor orientados possam ascender às cimeiras do culto à Virgem Aparecida. E receberá Ela, do relicário de cada coração, a hóstia perene de uma devoção que jamais transigirá cem a apatia ou displicência.

Sim, tal devoção, se foi até então um sentimento vago, herdado dos ancestrais, não há de ser mais para o futuro, porque fundada em bases seguras e inabaláveis. Amar-se-á Maria porque, com Ela, sente-se a ·alma certamente norteada para Deus; é a Estrela do Céu! Porque, afinal, já não se poderá mais compreender a vida cristãmente vivida sem Maria, a Imaculada, Mãe de Deus, a Mediadora de todas as graças, a Mãe de todos os homens, a Padroeira de todos os brasileiros.

Programados estão para o devido estudo e desenvolvimento à luz da razão e da fé, os seguintes títulos de glória da Mãe de Deus, qual mais importante, qual mais empolgante, qual mais digno de nossas lucubrações apologéticas:

  1. IMACULADA CONCEIÇÃO;
  2. MATERNIDADE DIVINA;
  3. ASSUNÇÃO CORPÓREA AO CÉU;
  4. CELESTIAL PADROEIRA DO BRASIL.

Com referência à IMACULADA CONCEIÇÃO DE MARIA, primeiro tema do nosso programa, são para salientar os fatos miraculosos que providencialmente precederam a proclamação do Dogma, como que preparando todos os católicos, através dos anos e das gerações, para receberem, com submissão e gratidão, a apostólica definição de Pio IX, aos 8 de dezembro de 1854.

Sensibilizados e ternissimamente agradecidos, podemos e devemos afirmar que, assim coma. a França foi o histórico cenário escolhido pela Virgem Imaculada para sua aparição a Catarina Labouré, a 27 de novembro de 1830, exigindo a cunhagem da Medalha, por autonomásia a MEDALHA MILAGROSA, assim como foi a Itália o palco majestoso da visão de Afonso Ratisbonne, a 20 de janeiro de 1842, na igreja de Santo André delle Fratte, em Roma, triunfando a Virgem da Medalha sobre o seu espírito de judeu· acérrimo; assim também, e muito antes, fora o Brasil, em águas do Paraíba, o recesso tranquilo e humilde, eleito por Nossa Senhora da Conceição, para o miraculoso aparecimento de sua Imagem a 17 de outubro de 1717. Imagem tão pequena em sua dimensão, quão grande, na veneração e no amor dos brasileiros.

Aliás, este amor nasceu com o próprio Brasil! Foi-se transmitindo de geração em geração, e, em 1640, era este querido Brasil, como parte integrante do Reino Lusitano, dedicado oficialmente a Maria por Dom João IV, El-Rei de Portugal – o que consta de preciosa lápide marmórea, conservada até o presente na sala nobre da Universidade de Coimbra, onde tivemos a ventura de contemplá-la.

Depois, foi renovada a consagração por decreto de Dom Pedro I, logo após proclamada a Independência do Brasil. Assim cumpria o Imperador, em ato público de reconhecimento à Virgem Aparecida, o voto que lhe fizera, pouco antes de nossa emancipação política, a 21 de agosto de 1882. A este voto refere-se o fervoroso devoto da Apa1:ecida ex-presidente da República, Doutor Wenceslau Brás, na tese relatada por Sua Excelência, em 1929, quando das solenidades jubilares, comemorativas da COROAÇÃO DA IMAGEM MILAGROSA.

Citemos suas palavras:

‘Entre os inúmeros devotos, crentes de seu poder e de sua magnanimidade, que se ajoelharam aos pés de Nossa Senhora Aparecida conta-se que esteve o próprio Dom Pedro, quando de sua viagem a São Paulo em 1882. Afirma-se que ele aqui estivera, fizera as suas preces, e, com estas, o voto de proclamar Nossa Senhora Aparecida padroeira do Brasil, se corressem à feição os acontecimentos de São Paulo. É bem de assinalar que a proclamação oficial da Independência do Brasil teve exatamente a data de 8 de setembro de 1822, dia de Nossa Senhora’.

Grande e sublime em sua missão, Maria é grande e admirável na própria etimologia de seu nome predestinado. Escritores antigos e modernos descobriram-lhe sessenta e sete significados, segundo um trabalho compilado por F. Vigouroux.

Entretanto, após o estudo do grande filólogo francês, uma mais recente e plausível pesquisa etimológica, atingindo primitiva língua semítica autorizapara Maria ou Miryam (Maryan), o sentido de: a altura, ou a alteza, ou a altíssima; o que melhor se enquadra nos planos de Deus com relação à pessoa e funções da Virgem Maria.

Sim, Altíssima foi Ela na perfeição de sua natureza pessoal, em virtude do privilégio da sua Imaculada Conceição. Altíssima na plenitude da graça, gratia plena, em virtude da sua Maternidade Divina. Altíssima na consumação da glória, em virtude de sua Assunção em alma e corpo ao Céu, onde, entronizada acima de todas as criaturas, foi coroada Filha de Deus Padre, Mãe de Deus Filho, Esposa do Espírito Santo, Rainha dos Anjos, dos Apóstolos, das Virgens, dos Mártires e de todos os Santos, Mãe e Medianeira dos homens.

É pertinente notar: Porque Maria Santíssima havia de ser Mãe de Deus por isso foi Imaculada em sua Conceição. E, depois, porque era a Mãe de Deus e Imaculada, por isso foi ressuscitada e assunta ao Céu, na integridade de sua pessoa. Em Maria, o Sol da graça infinita e da infinita justiça, refulgiu no seu zênite no mistério augusto e inefável da Maternidade Divina. Mas, na Imaculada Conceição, na gloriosa Ressurreição e na excelsa Assunção, rebrilhou o mesmo Solstício. Maria obteve vitória total sobre o pecado, pela plenitude da graça de Imaculada e Mãe de Deus: bem como obteve vitória total sobre a morte, pela plenitude da vida ressurreta e imortalizada na Glória do Paraíso.

Pois essa Criatura super-privilegiada, OBRA PRIMA do Criador onipotente, onisciente e onibondoso, é a PRINCIPAL E CELESTIAL PADROEIRA DE TODO O BRASIL, JUNTO DE DEUS. É a nessa Mãe do Céu a quem filialmente iremos cultuar e rogar no Congresso porvindouro”.

“Que Nossa Senhora Aparecida console os que choram, conforte os que sofrem, encaminhe os transviados, reconcilie os inimigos, consolide as famílias, harmonize as sociedades, salve o Brasil! E assim como foi sua milagrosa Imagem recolhida nas redes dos pescadores, ·assim também se digne a querida Mãe e Padroeira recolher-nos a todos nas redes de sua bondade e de seu poder, levando-nos para o Céu, levando-nos para Jesus: AD JESUM PER MARIAM!”

[REGINA BRASILIAE]

A Imagem da Senhora Aparecida, que os três felizes pescadores colheram nas águas do Rio Paraíba, é pequena. Feita de terra-cota, rústica, escura, mas bem talhada, mede trinta e nove centímetros de altura. Maria, representada com as mãos postas, tem, aos pés, uma cabecinha de anjo, e a meia-lua, como é geralmente representada a Imaculada.

Na Capelinha do piedoso e zeloso Atanásio Pedroso, foi venerada como apareceu – sem manto. Atualmente num nicho, recobre-a um todo azul, muito rico, bordado a ouro, onde se lê: REGINA BRASILIAE. Ornando-lhe a cabeça, linda coroa de pedras preciosas dá-lhe a realeza a que faz jus.

Pequenina, o Povo Brasileiro quer vê-la numa Basílica portentosa, vasta, digna de tão grande Rainha e Mãe. A nova, que se está alevantando numa área de quatrocentos mil metros quadrados, “constituirá, como diz Dom Carlos Carmelo de Vasconcelos Mota, e, motivo central de um vasto programa que visa transformar Aparecida no principal centro das peregrinações brasileiras.

A Basílica, colocada no alto duma colina, terá a forma duma cruz grega, “com o altar da Imagem milagrosa colocado exatamente no centro geométrico do cruzeiro. O altar da Virgem Aparecida ficará sobre uma plataforma elevada, de maneira a permitir que seja perfeitamente visível de qualquer parte da igreja. Ao redor do altar, em torno da plataforma, doze pequenos altares permitirão a celebração de treze missas simultâneas em volta da Sagrada Imagem”.

Três grandes arcos dão entrada ao templo. Sobre eles, a loggia para as bênçãos e solenes proclamações. A decoração da loggia, em mosaicos, representará a glorificação da Senhora Aparecida.

A Futura Basílica Nacional de Nossa Senhora Aparecida será o mais importante centro religioso do Brasil.

SINOPSE DOS ACONTECIMENTOS HISTÓRICOS

1717 – Ano que marca o encontro da Imagem Aparecida milagrosamente.

1733 – Primeiros prodígios operados por Maria. Ergue-se o Oratório de pau-a-pique.

1743 – Permissão do bispo do Rio de Janeiro para que se alevantasse a primeira igreja.

1744 – No Morro dos Coqueiros tem início as obras.

1745 – Benzimento da igreja, no dia de Sant’Ana, pelo Padre José Alves de Vilela, que celebrou a primeira Missa no novo templo.

1745 – Criação do Bispado de São Paulo.

1834 – Principia-se a construção da igreja atual.

1887 – Inauguração da estação de Aparecida da Estrada de Ferro Central do Brasil.

1893 – À igreja é conferido o título, por Dom Lino Deodato Rodrigues de Carvalho, de Episcopal Santuário.

1894 – Ano que marca a chegada dos Padres Redentoristas.

1895 – Deixa o Curato o Padre Claro. O Padre Wendel estabelecido Primeiro Capelão-Cura. O Padre Gebardo, Segundo Capelão-Cura e Visitador.

1896 – Benze-se a Capela de Santa Rita, aos 9 de junho.

1900 – Sai da Capital do Estado de São Paulo a primeira romaria.

1904 – Coroação de Nossa Senhora Aparecida, aos 8 de setembro.

1908 – O Santuário é elevado a Basílica.

1914 – Inauguração do Convento dos Padres.

1917 – Festejos do Segundo Centenário do encontro da Imagem e inauguração duma igreja sob a invocação de São Benedito.

1929 – Jubileu de Prata da Coroação, e Congresso Mariano.

1930 – Nossa Senhora da Conceição Aparecida é declarada Padroeira do Brasil, aos 16 de julho.

1931 – A Imagem da Padroeira, triunfalmente, é levada à Capital Federal, aos 31 de maio.

1935 – Inauguração solene do Carrilhão da Basílica.

1942 – A Virgem Aparecida eleita Padroeira do Congresso Eucarístico Nacional de São Paulo.

1945 – Em São Paulo, a visita da verdadeira Imagem.

1946 – Lançada a Primeira Pedra da futura Basílica Nacional.

1948 – Chegada do belo Carro-Andor de Nossa Senhora Aparecida.

1950 – Na Exposição Vaticana é elogiada a maquete da nova Basílica.

 

(ROHRBACHER Padre, Vida dos Santos: vol. XVIII, ano 1959, pp. 116-156)


[1] Rio Ruim, Teod. Sampaio, O Tupi na Geografia Nacional, 1928. Segundo J. Mendes, Paraíba vem de Paró – aib e significa “excessivamente escabroso”, alusão às muitas obstruções, bancos de areia, cachoeiras e saltos, que se observam no leito do rio. Azevedo Marques escreveu: “Paraíba, corrupção de pira, peixe, haiba, ruim – Peixe Ruim. O caudaloso rio, porém, diz Athayde Marcondes no seu célebre Pindamonhangaba, “é o que nos fornece os melhores peixes, tais como piabanha, traíra, bagre, surubi, timburê, mandi e inúmeros outros. Não é, portanto, aceitável a definição de Azevedo Marques por ser contraditória. Ele mesmo nos diz que o Paraíba nos fornece peixes ótimos e variados”. Varnhagen traduz – Rio Mau. O rio Paraíba do Sul faz parte da chamada Bacia do Leste. Formado pelo Paraibuna e pelo Paraitinga, nasce na Serra da Bocaina, próximo ao Morro da Boa Vista, no Estado de São Paulo, descendo duma altura de mil e quinhentos metros. Tomando, inicialmente, a direção do oeste, segue bruscamente a direção oposta. Correndo pelo Estado de São Paulo e atravessando o Estado do Rio de Janeiro do oeste a leste, seu leito tem mil e cinquenta e oito quilômetros de extensão. Com dois trechos navegáveis, o primeiro deles tem cem quilômetros, enquanto o segundo apresenta oitenta e sete. Possuindo muitas corredeiras, Funil, Salto e Lavrinhas são suas principais quedas. O vale do Paraíba é a passagem natural seguida pelos trilhos da Estrada de Ferro Central do Brasil, e por estradas de rodagem, rumo a São Paulo e Minas Gerais. No imenso vale, outrora, prosperaram grandes fazendas de café.

[2] Edição de 1952.

[3] Bispo de 1740 a 1745. Tendo renunciado ao bispado, faleceu em 1756.

[4] Bispo de São Paulo de 1871 a 1894. A 6 de agosto deste último ano, benzeu a primeira pedra do Seminário Central, falecendo dias depois, a 19 do mesmo mês.

[5] Dom Joaquim Arcoverde foi, em 1904, Delegado do Cabido Vaticano para proceder à solene coroação da Imagem de Nossa Senhora Aparecida. A Dom José de Camargo Barros, porém, concedeu aquela honra. Em 1905, Dom Joaquim recebeu o título de Cardeal da América do Sul. A 18 de abril de 1930, com oitenta anos de idade, faleceu no Rio de Janeiro. Dom José de Camargo Barros foi bispo de São Paulo até 1908, ano em que, retornando de Roma, foi colhido pela morte, quando do naufrágio do Sírio, em águas espanholas. Grande devoto de Nossa Senhora, inúmeras vezes celebrou a Santa Missa no Santuário e ali pregou. A narrativa do naufrágio do Sírio, com pormenores, saiu estampada num diário português, colhida que foi por um repórter dos próprios lábios de Dom José Marcondes Homem de Melo, que se salvou, amigo de Dom José de Camargo Barros (Athayde Marcondes, Pindamonhangaba, 1922). O célebre pintor Benedito Calisto, fixou na tela o sinistro. No quad1·0, representa ele a terrível cena do naufrágio do Sírio, momentos antes de ser tragado pelas águas. Dom José de Camargo, que havia cedido o seu salva-vidas a um passageio, está dando a absolvição geral aos desventurados viajantes.

[6] As basílicas têm, cada qual, o seu brasão. O brasão de Aparecida apresenta as seguintes insígnias: o Gonfalone e o Tintinabulum. O primeiro é um pavilhão de seda, um como grande guarda-sol meio aberto, que é o símbolo comum das basílicas de Roma e de todas as basílicas menores, fora da cidade. O segundo tem a forma duma pequena torre, coroada com as armas papais. Presa na extremidade duma haste, a pequena torre tem suspenso, no meio, um sininho (daí também chamar-se Tintinabulum de Campanelo).

[7] Dom Sebastião Leme da Silveira Cintra, paulista, arcebispo de Olinda, depois arcebispo do Rio de Janeiro. Fervorosíssimo devoto de Nossa Senhora, estava constantemente em Aparecida, a visitar a Mãe de Deus. Foi Dom Sebastião o prelado que preparou, na Capital do País, o maior triunfo de Maria em nossa terra. Por sua iniciativa devemos também a proclamação da Virgem Aparecida como Rainha e Padroeira do Brasil. Dom Sebastião Leme faleceu em 1942. A notícia da morte daquele grande brasileiro Consternou o país em todos os seus quadrantes.

[8] Dom Duarte Leopoldo e Silva, primeiro arcebispo de São Paulo (1908-1938), notabilizou-se pela grande devoção a Nossa Senhora Aparecida. Ia, com muita frequência, visitar a Padroeira. Foi quem sagrou a igreja e conseguiu o privilégio de Basílica. Teve longo episcopado. Foi um dos maiores beneméritos de Aparecida, cujo progresso religioso e material muito lhe interessavam.

[9] 1953.

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