ADMINISTRAÇÃO APOSTÓLICA

SANTO ANTÔNIO MARIA CLARET

23out2:01 pm2:01 pmSANTO ANTÔNIO MARIA CLARET

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SANTO ANTÔNIO MARIA CLARET

Bispo e Confessor, Fundador

III classe

INFÂNCIA

Antônio nasceu em Sallent, uma cidadezinha próxima de Barcelona, em 23 de dezembro de 1807, em uma família numerosa, sendo o quinto dos onze filhos de Antônio Claret e Josefa Clara, pelos quais foi educado de modo profundamente cristão. Distinguiu-se logo pela sua devoção à Virgem Maria e à Eucaristia, mas, como em todas as famílias numerosas, teve que dar uma mão. Por isso, aprendeu a profissão do pai dedicando-se à atividade de tecelão, junto com seu pai. Porém, sabia bem que o seu lugar não era aquele. Depois aprendeu a profissão de tipógrafo.

Na adolescência, ouviu o chamado para servir a Deus. Assim, acrescentou o nome de “Maria” ao seu, para dar testemunho de que a ela dedicaria sua vida de religioso. E foi uma vida extraordinária dedicada ao próximo. Sua educação e formação veem-se afetadas pelo vai-e-vem de uma época agitada. Depois das primeiras letras, aprendidas na escola de Sallent, foi a Barcelona para uma formação específica, orientada a melhorar os negócios da família.

VOCAÇÃO DO FUNDADOR

Antônio Maria Claret trabalhou com o pai numa fábrica de tecidos e, aos vinte e um anos, depois de ter recusado empregos bem vantajosos, ingressou no Seminário de Vic em 1829, pois queria ser monge cartuxo. Mas lá percebeu sua vocação de padre missionário.

Em 1835, recebeu a ordenação sacerdotal e foi nomeado pároco de sua cidade natal. Quatro anos depois foi para Roma, com a ideia de partir como missionário. No início, recorreu à Propaganda Fide, o Dicastério vaticano encarregado das Missões. Porém, ali, pode apenas fazer um curso de Exercícios espirituais, com um pregador Jesuíta, que o encaminhou à Companhia de Jesus. Assim, começou a fazer o Noviciado, mas, acometido por uma doença, teve que voltar para a Espanha. Foram sete anos de trabalho árduo e totalmente dedicado ao ministério pastoral na Espanha, que muitos frutos trouxeram para a Igreja pelas suas pregações por toda a Catalunha e nas Ilhas Canárias, para onde foi enviado em 1948, ficando conhecido como taumaturgo. Na verdade, Antônio tinha um talento excepcional de orador e atraía a atenção pela sua vida ascética impecável: apresentava-se sempre a pé, como peregrino, com a Bíblia e o Breviário nas mãos.

No entanto ansiava por uma obra mais ampla e assim, em 1849, na companhia de outros cinco jovens sacerdotes, decidiu fundar uma nova Congregação de missionários, que a consagrou à Virgem, chamada “Filhos do Imaculado Coração de Maria” (Padres Claretianos), que sofrerão muito durante a guerra civil espanhola, tanto que 271 deles se tornaram mártires da fé. Entretanto, nessa ocasião, a Igreja vivia um momento de grande dificuldade na distante diocese de Cuba, que estava vaga havia quatorze anos.

MINISTÉRIO DO ARCEBISPO

Finalmente, seu sonho de ser missionário tornou-se realidade. No mesmo ano, o fundador foi nomeado arcebispo de Cuba. E mais uma vez pode constatar que Maria jamais o abandonava. Ao ser nomeado arcebispo de Santiago de Cuba – que, na época, estava sob a jurisdição da Coroa da Espanha – em 1851, partiu para a capital cubana, onde encontrou uma diocese desorganizada, devido à longa ausência de um pastor: clero reduzido e despreparado, seminário em ruínas, igrejas abandonadas.

O Santo Arcebispo era uma vítima constante de todo tipo de pressão das lojas maçônicas, que faziam oposição violenta contra o clero, além dos muitos atentados que sofreu contra a sua vida: Incendiaram uma casa que se hospedava, colocaram veneno em sua comida e bebida, assaltaram-no à mão armada e o feriram várias vezes. Porém, o Arcebispo sempre escapou ileso e continuou seu trabalho, sem nunca recuar. O Prelado viu de perto as consequências sociais dos pecados pessoais.

“Nestas terras (Cuba) há uns princípios de destruição, de corrupção e de provocação da justiça divina”… “os ilustrados e docentes do país, em quem não só não há sombra de religião, mas um desprezo e ódio contra ela, e não perdoam meio algum para imprimir e embeber dos mesmos sentimentos o povo, que é sumamente dócil e humilde e facilmente se deixa seduzir pela suma ignorância que há hoje em dia.”[1]

Então, arregaçou logo as mangas: convocou um Sínodo diocesano, estabeleceu a obrigação aos sacerdotes de fazer exercícios espirituais, chamou de volta os religiosos expulsos do país e, sobretudo, percorreu toda a extensão do seu território, visitando até os recantos mais recônditos. Restaurou o antigo seminário cubano, deu apoio aos negros e índios, escravos[2]. Fez visitas pastorais a todas as dioceses, levando nova força e ânimo, para o chamado ao trabalho cada vez mais difícil e cada vez mais necessário.

Não obstante, em Cuba, em 1855, com a ajuda da venerável Maria Antónia Paris, fundou o ramo feminino da Congregação: as “Religiosas de Maria Imaculada” também chamadas “Missionárias Claretianas”.

O novo Arcebispo dedicou-se à pobreza galopante e, como toda grande personalidade não só teve colaboradores eminentes, mas também reuniu inimizades: em Holguin em 1856, foi atacado e ferido e quase perdeu a vida.

PRISÃO DOURADA E EXÍLIO

Em 1857, a jovem Rainha da Espanha convocou Antônio para voltar a Madrid, que, contrariado, teve que obedecer, para ser seu Confessor durante onze anos, mas deixou a Igreja de Cuba mais unida, mais forte e resistente. Ligado à monarquia espanhola, seu destino mudou. Foram os anos mais duros da sua vida. Sentia que o palácio real era uma jaula de ouro, mas com sabedoria pastoral aproveitou de todas as oportunidade para evangelizar. Nesse período, sua obra escrita cresceu muito, enriquecida com seus inúmeros sermões.

Em colaboração com o Núncio, fez de seu cargo um serviço para a reforma de toda a Igreja, implicando-se na delicada questão da nomeação dos Bispos. Se em Cuba sofreu perseguições, em Madri se acentuou a tormenta: nem todos entendiam seu trabalho pastoral e alguns o consideravam um personagem incômodo e atentavam repetidas vezes contra sua fama, sua honra e sua vida. Ele orava, trabalhava e padecia.

Em 1868, solidário com a soberana, seguiu-a no exílio na França, onde permaneceu ao lado da família real. O silêncio lhe foi imposto, mas se não podia pregar nas Igrejas, pregava nos conventos onde também atendia confissões; se não podia agir, fazia com que outros trabalhassem: organizou associações e promoveu iniciativas nas quais os leigos podiam ser cada vez mais ativos; discretamente, apoiou seus Missionários para que ampliassem seu serviço evangelizador. Não parou seu trabalho de apostolado e de escritor por excelência. Encontrou, ainda, tempo e forças para fundar uma academia para os artistas, que colocou sob a proteção de são Miguel. Viveu pobre, era tudo menos um cortesão.

MORTE

Um ano antes de morrer escrevia confidencialmente desde Roma:

“Pode-se dizer que já se cumpriram os desígnios que o Senhor tinha sobre mim”. “Parece-me que já cumpri minha missão: em Paris e em Roma preguei a lei de Deus. Em Paris, como na capital do mundo e em Roma, capital do catolicismo. Tanto oralmente, como por escrito. Observei a santa pobreza”.

Em Roma, participou do Concílio Vaticano I, no qual defendeu a infalibilidade do Pontífice, e ali era Padre Conciliar com cicatrizes de mártir. Depois refugiou-se no mosteiro de Fontfroide, em Narbona, na França, onde foi perseguido até o último momento; e faleceu nesta hospedagem com sessenta e três anos, no dia 24 de outubro de 1870, sem funeral de dignitário, mas de pobre desterrado.

Beatificado pelo papa Pio XI, que o chamou de “precursor da Ação Católica do mundo moderno” e “apóstolo incansável dos tempos modernos”, durante o rito de Canonização, presidido por Pio XII, em 8 de maio de 1950, o Papa destacou os seguintes aspectos da sua vida: “Era, aparentemente, modesto, mas também capacíssimo de impor respeito aos grandes terra… Entre tantas outras coisas maravilhosas, que iluminavam suavemente seus feitos, era um grande devoto da Mãe de Deus”.

 

 


[1] Apud P. José Maria Viñas, cmf: “A Missão de Santo Antônio Maria Claret”.

[2] Pois “Os proprietários de negros são inimigos das missões, da religião e da moralidade” apud P. José Maria Viñas, cmf: “A Missão de Santo Antônio Maria Claret”.

FONTES:

NEWS, Vatican. S. Antônio Maria Claret, bispo, fundador… Disponível em: https://www.vaticannews.va/pt/santo-do-dia/10/24/s–antonio-maria-claret–bispo–fundador-da-congregacao-dos-miss.html: Acesso em: 19/10/2023.

VIÑAS, P. José Maria (cmf). A Missão de Santo Antonio Maria Claret. Missionários Claretianos Brasil. Disponível em: https://claret.org.br/espiritualidade/claret/34/a-missao-de-santo-antonio-maria-claret. Acesso em: 19/10/2023.

FRANCISCANOS. Santo Antônio Maria Claret. Disponível em: https://franciscanos.org.br/vidacrista/calendario/santo-antonio-maria-claret/#gsc.tab=0. Acesso em: 19/10/2023.

COLÉGIO, Claretiano. Conheça a biografia do patrono – Santo Antônio Claret.  Disponível em: https://claretianocolegio.com.br/boavista/noticias/88801/conheca-a-biografia-do-patrono-santo-antonio-claret. Acesso em: 19/10/2023.

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