ADMINISTRAÇÃO APOSTÓLICA

SANTO ELÍGIO ou ELÓI

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SANTO ELÍGIO ou ELÓI

BISPO DE NOYON (660) E CONFESSOR

Origem e profissão – O nome de Elígio, assim como o de seu pai, Equério, e o de sua mãe, Terrígia, comprovam que ele era de origem galo-romana. Nasceu em Chaptelat, perto de Limoges, por volta do ano 588. Seu pai, artesão, descobriu que Elígio tinha grande aptidão para a gravura em metal e colocou-o como aprendiz na oficina de Abón, responsável pela cunhagem da moeda em Limoges. Depois de aprender o ofício, Elígio atravessou o Loira e rumou para Paris, onde conheceu Bobbo, tesoureiro de Clotário II. O monarca encarregou Elígio de fazer um trono adornado com ouro e pedras preciosas.

Com o material que lhe deram, Elígio construiu dois tronos como o que lhe haviam pedido. Clotário ficou admirado pela habilidade, honestidade, inteligência e outras qualidades do jovem, por isso imediatamente o colocou ao seu serviço e o nomeou chefe da casa da moeda. O nome de Elígio ainda é visto em algumas moedas cunhadas em Paris e Marselha durante os reinados de Dagoberto I e Clóvis II.

O biógrafo de Eligió diz que ele esculpiu os relicários de São Martinho (Tours), São Dionísio (Saint-Denis), São Quentin, Santos Crispim e Crispiniano (Soissons), Santa Lúcia, São Germano de Paris, Santa Genoveva e outros. A habilidade e posição do santo, bem como sua amizade com o rei, fizeram dele um personagem importante.

Pobre em espírito – Optou por não deixar que a corrupção da corte manchasse a sua alma e destruísse a sua virtude, mas soube adaptar-se perfeitamente ao seu estado. Por exemplo, vestia-se magnificamente, de modo que em certas ocasiões os seus vestidos eram feitos de seda pura (um material muito raro naquela época em França) e eram bordados com fios de ouro e adornados com pedras preciosas. Quando um estranho perguntou onde morava Elígio, o povo respondeu: “Vá para tal e tal rua; a casa dele é aquela cercada por uma multidão de pobres”.

Retidão e prudência – É curioso o incidente ocorrido quando Clotário pediu a Elígio que fizesse o juramento de fidelidade. O santo, quer por escrúpulos em jurar sem necessidade suficiente, quer por medo do que o monarca lhe ordenasse ou aprovasse, escusou-se de prestar juramento com uma obstinação que incomodou o rei durante algum tempo, até que finalmente, Clotário compreendeu que a razão da repugnância de Elígio vinha realmente da sua retidão de consciência e convenceu-se de que essa mesma retidão mais do que compensava os juramentos dos demais ministros.

Santas amizades – Santo Elígio resgatou muitos escravos. Alguns deles permaneceram ao seu serviço e foram-lhe fiéis durante toda a vida. Entre eles estava um saxão chamado Tilo, que é venerado como santo no dia 7 de janeiro e foi o primeiro dos discípulos que seguiram o santo desde a oficina da corte até sua diocese. Na corte Elígio fez amizade com Sulpício, Bertário, Desidério, Rústico (irmão do anterior) e, sobretudo, Audoeno. Todos eles se tornaram, com o tempo, bispos e santos canonizados.

Audoeno (também chamado Ouen) devia ser ainda muito jovem quando Santo Elígio o conheceu; a Vita Eligii foi por muito tempo atribuída a ele, que os historiadores hoje consideram ser obra de um monge que mais tarde viveu em Noyon. Nessa biografia o Santo é descrito na corte, dizendo que era “alto, de traços juvenis, com barba e cabelos encaracolados sem nenhum artifício; suas mãos eram finas e com dedos longos, seu rosto refletia uma bondade angelical e sua expressão era sério e natural.”

Fundações – Dagoberto I herdou a estima e a confiança que seu pai professava ao santo, porém, como tantos outros monarcas, Dagoberto preferia que seu conselheiro o orientasse nos assuntos públicos e políticos e não nas questões íntimas de sua conduta moral. O rei deu a Santo Elígio as terras de Solignac del Limousin para fundar um mosteiro. Os monges que ali se estabeleceram no ano de 632 observaram uma regra que combinava as de São Columbano e de São Bento. Sob a orientação especializada do fundador, três dos monges distinguiram-se em diferentes artes.

Dagoberto também cedeu a Elígio uma casa em Paris para fundar um convento de religiosas, que o santo colocou sob a direção de Santa Áurea. Ele pediu ao rei algum terreno para completar os edifícios, e o monarca deu a ele. O santo ultrapassou um pouco a área que o rei lhe havia dado e, assim que percebeu, foi pedir perdão. Dagoberto, surpreso com tamanha honestidade, disse aos cortesãos: “Alguns de meus súditos não têm escrúpulos em roubar todos os meus bens, enquanto Elígio está angustiado por ter tomado alguns centímetros de terra que não lhe pertencem”. Naturalmente, um homem tão honesto poderia ser um embaixador maravilhoso, ao que parecia. Dagobert o enviou para negociar com o príncipe dos turbulentos bretões, Judecael.

Eleição episcopal – Santo Elígio foi eleito bispo de Noyon e Tournai. Na mesma época, seu amigo Santo Audoeno foi eleito bispo de Rouen. Ambos receberam a consagração episcopal no ano de 641. Santo Elígio destacou-se no serviço da Igreja tanto quanto se destacou no serviço do rei. Com efeito, a sua preocupação paterna, o seu zelo e a sua vigilância eram admiráveis. É claro que ele estava preocupado com a conversão dos infiéis, uma vez que a maioria dos habitantes da região de Tournai ainda não se tinha convertido ao cristianismo. Uma grande parte da Flandres deve a sua conversão a Santo Elígio. O santo pregou nos territórios de Amberes, Gante e Courtrai.

Trabalhos apostólicos – Ainda que os habitantes, selvagens como feras, zombassem dele por ser “romano”, o santo não desistia, mas antes socorria os enfermos, protegia a todos contra a opressão e usava todos os meios que sua caridade lhe ditava para vencer sua teimosia. Aos poucos, os bárbaros abrandaram e alguns se converteram. Todos os dias de Páscoa, Santo Elígio batizava todos aqueles que ele tinha trazido à luz do Evangelho durante o ano.

Seu biógrafo nos conta que ele pregava ao povo todos os domingos e feriados, e que o instruía com zelo incansável. Na biografia do santo há um extrato de vários de seus sermões em um só, o que basta para comprovar que Elígio tomava passagens inteiras dos sermões de São Cesário de Arles. Talvez fosse mais correto dizer que foi o seu biógrafo quem tirou essas passagens de São Cesário, mas a verdade é que nas dezesseis homilias atribuídas a Santo Elígio se observa a mesma influência de São Cesário.

Uma dessas homilias é provavelmente autêntica. É um sermão muito interessante, em que o santo prega contra as superstições e práticas pagãs, entre as quais menciona as festas do dia 1º de janeiro e 24 de junho, e o costume de não trabalhar às quintas-feiras (“dies Jovis”) em respeito a Júpiter. Também proíbe maldições (bíblicas e de outros tipos), leitura da sorte, análise de presságios e outras superstições que ainda existem em muitos países. A seguir, incita a oração, a comunhão do corpo e do sangue de Cristo, a unção dos enfermos, o sinal da cruz e a recitação do Credo e do Pai Nosso.

Outras fundações e ofícios – Em Noyon Santo Elígio fundou um convento para religiosas. Para governá-lo, trouxe de Paris sua protegida, Santa Godeberta, e um dos monges do mosteiro que ficava fora da cidade, na estrada para Soissons. O santo promoveu grandemente a devoção aos santos locais; durante o seu episcopado, alguns dos relicários acima mencionados foram esculpidos por ele ou sob sua direção. Santo Elígio desempenhou um papel muito importante na vida eclesiástica do seu tempo.

Pouco antes de sua morte, por um curto período, foi conselheiro da rainha regente, Batilde, que muito apreciou seu julgamento. O biógrafo do santo dá alguns exemplos que mostram a elevada estima que a rainha lhe professava, pois ambos tinham em comum não só a forma de ver os problemas políticos, mas também uma grande preocupação com os escravos (Batilde, quando criança, foi vendida como escrava).

O efeito desses sentimentos refletiu-se nos resultados do Concílio de Chalon (c. 647), que proibiu a venda de escravos fora do reino e impôs a obrigação de deixá-los descansar aos domingos e feriados. O único escrito verdadeiramente autêntico de Santo Elígio é uma carta encantadora que enviou ao seu amigo São Desidério de Cahors: “Quando sua alma se volta em oração ante o Senhor, lembre-te de mim, Desidério, pois és tão querido para mim quanto outro eu. Saúdo-te de todo o coração e com o mais sincero carinho. Também te saúda nosso fiel companheiro Dado”. Este foi Santo Audoeno.

Últimos anos – Quando governava sua diocese há dezenove anos, Santo Elígio teve uma revelação sobre a proximidade de sua morte e a previu ao seu clero. Pouco depois, ele contraiu febre. Seis dias depois convocou todos os membros de sua casa para se despedir deles. Quando todos começaram a chorar, o santo não conseguiu conter as lágrimas. Ele imediatamente os confiou a Deus e morreu poucas horas depois. Era 1º de dezembro de 660. Ao saber que o santo estava doente, a rainha Batilde deixou Paris às pressas, mas chegou na manhã seguinte à morte de Elígio.

A rainha organizou os preparativos para transferir os restos mortais para o mosteiro que fundara em Chelles, embora outros quisessem que fossem transferidos para Paris. A população de Noyon se opôs a todos os projetos e Elígio foi sepultado na cidade. Suas relíquias foram posteriormente transferidas para a catedral, onde ainda estão em grande parte preservadas.

Durante muito tempo, Santo Elígio foi um dos santos mais populares da França. Na Idade Média, a sua festa era celebrada em todo o norte da Europa. Santo Elígio é o padroeiro dos ourives e ferreiros. Ele também é invocado em assuntos relacionados a cavalos, devido a certas lendas. O santo exerceu o seu ofício durante toda a vida e algumas obras a ele atribuídas ainda se conservam.

 

(BUTLER Alban de, Vida de los Santos: vol. IV, ano 1965, pp. 451-454)

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