ADMINISTRAÇÃO APOSTÓLICA

SANTOS ROQUE GONZÁLEZ E COMPANHEIROS

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SANTOS ROQUE GONZÁLEZ E COMPANHEIROS

Mártires

III classe

Mártires nas Américas – Os primeiros mártires da América que alcançaram a honra dos altares morreram por Cristo em 1628. Isso não significa que tenham sido os primeiros mártires da América, pois três franciscanos morreram nas mãos dos caribenhos nas Antilhas, em 1516; a isto somaram-se os massacres na América do Sul e, antes disso, Frei João de Padilla, o primeiro mártir da América do Norte, já havia morrido em 1544. Não sabemos exatamente onde ocorreu esse martírio. A este respeito, falamos sobre o leste do Colorado, o leste do Kansas e o Texas. Mas nem Frei João nem nenhum dos referidos mártires alcançaram a honra dos altares, por falta de documentos suficientes sobre o seu martírio. Não é impossível que tais documentos apareçam um dia, mas, até à data, os mártires mais antigos dos beatificados foram três missionários jesuítas no Paraguai. Um deles nasceu na América.

Origem de São Roque – Roque González de Santa Cruz era filho de nobres espanhóis. Nasceu em Assunção, capital do Paraguai, em 1576. Era tão bom e devoto que todos estavam convencidos de que um dia seria sacerdote. Na verdade, ele recebeu a ordenação aos vinte e três anos, embora se considerasse indigno do sacerdócio.

Imediatamente, começou a se preocupar com os índios, aos quais pregaria e instruiria nas aldeias mais remotas. Dez anos depois, ingressou na Companhia de Jesus para evitar dignidades eclesiásticas e poder trabalhar de forma mais eficaz como missionário. Naquela época, os Jesuítas instituíam as famosas “reduções” do Paraguai, e o Padre Roque González desempenhou um papel muito importante nisso.

Missionário jesuíta – Essas reduções eram colônias de índios governadas pelos jesuítas, que, diferentemente de tantos espanhóis que tinham índios em missão, não se consideravam conquistadores e senhores dos índios, mas sim guardiões e administradores de suas propriedades. Os jesuítas não viam os índios como uma casta de escravos, mas antes os viam como filhos de Deus e respeitavam a sua civilização e o seu modo de vida em tudo o que não se opusesse à lei de Deus. Em uma palavra, queriam torná-los “índios cristãos” e não uma má cópia do espanhol. A resistência que os jesuítas ofereceram ao imperialismo espanhol, à escravidão e aos métodos da Inquisição, acabou por lhes trazer a ruína na América espanhola, bem como o desaparecimento das reduções.

As “reduções” jesuítas – Isto aconteceu um século depois da morte do Beato Roque González. Até o irônico Voltaire admirava o trabalho dos jesuítas e escreveu sobre isso:

“Quando as missões do Paraguai foram tiradas dos jesuítas em 1768, os índios haviam atingido o mais alto nível de civilização que um jovem pode alcançar… Nas missões se respeitava a lei, e se levava uma vida limpa, os homens consideraram-se como irmãos, as ciências úteis e até algumas das mais belas artes floresceram, e a abundância reinava em tudo.”

Para conseguir isso, o Padre Roque trabalhou durante quase vinte anos, enfrentando, com paciência e confiança, todo o tipo de dificuldades, perigos e contratempos, com tribos selvagens e agressivas e com a oposição dos colonizadores europeus. O bem-aventurado se dedicou de corpo e alma à tarefa. Durante três anos dirigiu a redução de Santo Ignácio, que foi uma das primeiras,[1] e passou o resto da vida estabelecendo mais meia dúzia de reduções a leste dos rios Paraná e Uruguai.

Ele foi o primeiro europeu conhecido a penetrar em algumas regiões desconhecidas da América do Sul. Um de seus contemporâneos, o governador espanhol da província de Corrientes, que sabia como era a vida naquelas regiões, testemunhou que “podia adivinhar o que custou ao Padre Roque a vida que levou: fome, frio, cansaço, nadando nos rios, sem falar no incômodo dos insetos e outros desconfortos, que só um apóstolo, um sacerdote santo como ele, poderia suportar com tanta coragem.”

Padre Roque teve enorme influência sobre os índios; mas as autoridades civis dificultaram o seu trabalho nos últimos anos, tentando usar a sua influência para os seus próprios fins. Na verdade, as autoridades insistiram que em cada redução houvesse representantes da coroa, e a brutalidade destes europeus despertou entre os índios o ódio e a desconfiança dos europeus em geral. Infelizmente, isto tem se repetido de uma forma ou de outra na história das missões ao redor do mundo. Quantas vezes a conduta de cristãos indignos estragou o trabalho dos missionários!

Chegada dos Companheiros – Em 1628, dois jovens missionários espanhóis, Afonso Rodríguez e João de Castillo, foram encontrar-se com o Padre Roque. Entre os três fundaram uma nova redução perto do rio Ijuhi, e a consagraram à Assunção de Maria. Padre Castillo ficou a cargo da direção, enquanto os outros dois missionários partiram para Caaró, onde fundaram a redução de Todos Santos. Lá eles tiveram que enfrentar a hostilidade de um poderoso “curandeiro”, que logo conseguiu que os nativos atacassem a missão.

Martírio dos três Companheiros – No momento em que os agressores chegaram, o Padre Roque estava pendurando o sino da igreja. Um homem se aproximou dele e o matou com uma marreta. Ao ouvir o tumulto, Padre Rodríguez saiu até a porta de sua cabana, onde encontrou os índios com as mãos ensanguentadas. Eles imediatamente o derrubaram. Padre Rodríguez exclamou: “O que você está fazendo?” Foi tudo o que ele conseguiu dizer, porque os índios o espancaram até a morte. Imediatamente, incendiaram a capela, que era de madeira, e atiraram os dois corpos às chamas. Era 15 de novembro de 1628.

Dois dias depois, os índios atacaram a missão de Ijuhi, prenderam o Padre Castillo, amarraram-no, espancaram-no violentamente e destruíram-lhe a vida com pedras. Seis meses depois, foi escrito um relato de tudo o que aconteceu para apresentar a causa de beatificação. Mas os documentos foram perdidos na viagem a Roma. A causa foi interrompida durante dois séculos e parecia destinada ao fracasso.

Felizmente, uma cópia dos documentos foi descoberta na Argentina, e Roque González, Afonso Rodríguez e João de Castillo foram solenemente beatificados em 1934. Entre os documentos estava a seguinte declaração de um chefe índio, chamado Guarecupí: “Todos os índios cristãos amavam ao pai (Roque) e eles sentiram a morte dele, ele era um pai para nós e assim o chamavam os índios do Paraná.”[2]

 

(BUTLER Alban de, Vida de los Santos: vol. IV, ano 1965, pp. 371-373)

[1] N. do E. – Segundo o Padre Hubert du Manoir, S. J., no seu livro Maria. Estudos sobre a Santa Virgem, vol. V, pág. 435, “a primeira redução missionária dos Jesuítas no Paraguai foi fundada em 1610 e foi chamada de Redução de Nossa Senhora do Loreto”.

[2] Estes três sacerdotes jesuítas, martirizados na região que hoje é diocese de Santo Ângelo, foram beatificados em 28 de janeiro de 1934 pelo Papa Pio XI e foram canonizados pelo Papa João Paulo II em 1988.

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(Sexta) 2:01 pm - 2:01 pm