ADMINISTRAÇÃO APOSTÓLICA

SÃO NARCISO

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SÃO NARCISO

Bispo e Mártir, Patrono de Gerona

(306 ou 307)

Gerona, a cidade espanhola tantas vezes invicta e imortal, posto avançado e torre de vigia da alma nacional na luta contra o invasor estrangeiro, traz hoje à tona suas melhores vestes. A Gerona dos escritores latinos está em grande festa. E assim deve ser. Porque hoje se celebra o nascimento para o céu, que é o triunfo mais glorioso e a coroa imorredoura, do seu pai, defensor e advogado. Seria difícil tecer a história civil e militar desta antiga cidade, glória e prêmio da Espanha, se o nome não menos ilustre do Santo Bispo que, à imitação de Jesus, a gerou para o Senhor do céu e da terra com a luz da boa doutrina e com o sangue das suas próprias veias. Sempre se destacará no jardim das virtudes cívicas de Gerona este Narciso, que é uma flor perfumada do céu.

Ao longo dos tempos e em todos os tempos, os estudiosos de Gerona foram movidos por um desejo muito grande e natural de investigar e recolher todos os dados relativos à vida apostólica e ao martírio sangrento do seu exaltado protetor. Contudo, sempre os seus devotos esforços são frustrados pela infeliz notícia de que o bispo de Gerona, Berenguer Wifredo (1051-1093), deixou escrita numa carta ao Abade Sigardo, do Mosteiro de San Udalrico e Santa Afra, na cidade de Augsburgo (Alemanha): “Dizemos-vos a única coisa que sabemos sobre São Narciso, desde o livro do seu martírio e a certeza da sua morte, com a irrupção dos pagãos (mouros), que devastaram as nossas igrejas e despovoaram os nossos lugares, nós os perdemos sem esperança de recuperá-los. No entanto, celebramos anualmente com grande solenidade a festa da sua morte no quarto dia das calendas de novembro (29 de outubro)”.

É por isso que a data de hoje, tendo a seu favor uma antiguidade tão venerável e muito digna de preservação, foi respeitada pela Sagrada Congregação dos Ritos face à data de 18 de Março, inscrita nos Martirológios Romanos, alguns séculos depois do precioso documento do século XI.

Precisamente para cumprir o dia indicado no Martirológio Romano, o Bispo Dom Jaime Casador, a pedido dos Jurados e do Conselho de Gerona, transferiu-o para 18 de março; mas tendo a devoção diminuído muito como resultado desta mudança, Dom Arévalo de Zuazo, a pedido dos mesmos Jurados, restaurou-a para a antiquíssima data de 29 de outubro, com o consentimento prévio da Santa Sé.

É verdade que, respondendo aos desejos de Sua Santidade, expressos pelo famoso Cardeal César Baronio numa carta italiana, anexa à referida concessão, ela foi feita em Gerona e continua a ser uma memória especial e particular do Santo em 18 de março 18 de cada ano, cuja celebração é popularmente conhecida como Voto de São Narciso.

BERÇO E LINHAGEM DO SANTO

Nosso ilustre Mártir nasceu já no século II. No burburinho de dados incertos e de conjecturas mais ou menos prováveis ​​sobre o berço onde nasceu, bem como sobre a primeira fase da sua vida, não faltam aqueles que, apoiando-se em crônicas, criticamente muito desconfiadas, asseguram não só que Gerona é a pequena pátria de Narciso, mas também nos dá notícias de sua linhagem. Segundo elas, seus pais se chamavam Lúcio e Serena; eram de linhagem nobre, eram parentes próximos de Pompônio Paulato, arcebispo de Toledo, e descendiam de uma distinta família patrícia de Roma. Naquela época – acrescentam – existia em Gerona uma famosa universidade, mantida às custas do erário público, na qual os jovens podiam dedicar-se ao estudo da literatura e da filosofia humanas, sob a direção de professores tão notáveis ​​como os célebres oradores Rufo e Cayo Paulato, e o não menos famoso Lúcio, orador espanhol da Bética, que foi professor em Saragoça, Gerona e Roma; do qual se diz que São Narciso deve ter-se dedicado ao estudo da literatura e das ciências naturais, para depois empreender o estudo das Escrituras Divinas, atingindo tal altura nos seus melhores anos que, com o prestígio de um verdadeiro oráculo, ele converteu à fé cristã a todos que tiveram a alegria de ouvir sua admirável pregação.

Outros, porém, querendo aliar seu desejo natural de tê-lo como compatriota com a retidão da crítica histórica, consideram esta notícia fantasiosa e contentam-se em apontar Gerona como o lugar de origem de São Narciso, embora lamentem a escuridão que cercam a infância e a adolescência de seu pai na fé.

Não é sem fundamento a opinião de alguns que veem no Santo um daqueles bispos católicos que, sem sede fixa ou determinada, percorriam as cidades exercendo nelas o ministério da pregação evangélica.

Finalmente, há quem considere mais provável que São Narciso, vindo de Augsburgo, tenha então tomado Gerona como sua sé fixa e permanente, e que aí, depois de cerca de três anos de árduo trabalho em favor da extensão da doutrina de Cristo entre aos habitantes desta cidade, confiantes no seu zelo apostólico, num dia bom para ele, mas muito triste para o seu rebanho que ficava abandonado, encerrou a sua carreira, gloriosa e feliz.

POR TERRAS DA ALEMANHA. CONVERSÃO DE SANTA AFRA E SEUS PARENTES

Era o ano 303. Mais uma vez o Senhor quis testar a fidelidade dos seus seguidores no cadinho da perseguição. Desta vez ele se aproveitou do volúvel imperador Diocleciano, que a decretou geral no mundo de Roma. Esta é a razão – segundo os registos do martírio de Santa Afra – de ver o Bispo Narciso, acompanhado pelo seu diácono Félix, através de território alemão, sem dúvida menos batido que as terras próximas da capital do Império Romano. Chegam à cidade de Augsburgo, antiga Augusta, e, sem saber para onde ir, batem à porta de uma casa que acabou por pertencer a uma pecadora pública, conhecida pelo nome de Afra. Ela os acolheu com a maior gentileza e o maior prazer, sem compreender que aqueles homens santos chegavam à sua casa pela amorosa providência do Senhor. Ela preparou um jantar generoso como presente para seus convidados inesperados. Mas quando estes se sentaram à mesa, abandonando todo o respeito humano, fazendo o sinal da Cruz, começaram a fazer orações e salmos. Afra ficou maravilhada com esta novidade, que nunca tinha visto, observou atentamente as suas ações e, com uma cortesia um tanto estranha aos seus costumes, perguntou quem eram. Entre admiração e espanto, ela ouviu as palavras do santo Bispo, uma linguagem muito nova para ela, e como as razões do intrépido apóstolo eram muito persuasivas, começou então a sentir a influência da graça divina; e, assim que compreendeu que quem lhe falava assim era um bispo dos cristãos, dotado de um temor respeitoso e medindo num só olhar o abismo de inabilidade em que se encontrava mergulhada, prostrou-se humildemente diante dos pés do Santo e exclamou: “Senhor, sou indigna de estar na tua presença, pois não é possível encontrar nesta cidade outra mulher mais pecadora do que eu.”

Narciso compreendeu que a Providência divina acabava de colocá-lo no caminho daquela alma para fazer dela um vaso de eleição, e por isso começou imediatamente a catequizá-la. Afra, alegre com aquele acontecimento inesperado, chamou suas criadas de Digna, Eunomia e Eutropia ou Euprepia, que se ofereceram com nobre entusiasmo para ouvir as boas novas.

Entretanto, como os pagãos suspeitavam daqueles estrangeiros, vieram prendê-los. Afra sabia como escondê-los; mas, com medo de que voltassem, levou-os durante a noite para a casa de Hilária, sua mãe, que já havia sido informada do caso.

Foi grande a alegria e a complacência com que Hilária recebeu os dois santos, e tendo-lhes manifestado também o seu desejo de obter a purificação dos seus pecados, o Bispo ordenou que começassem com um jejum de sete dias; enquanto isso, seriam catequizadas e, no oitavo dia, seriam batizadas.

Com efeito, depois de os ter passado em oração, acompanhados de acontecimentos prodigiosos com a derrota do maligno, Afra e as suas servas, a sua mãe Hilária e o seu tio Zósimo ou Dionísio, foram batizados.

O Santo Bispo continuou por muitos dias ensinando a palavra divina. Ele fez da casa de Hilária uma igreja e ordenou Dionísio presbítero. Poucos anos depois, quase todos receberam a palma do martírio.

ESTRADA DE GERONA. GLORIOSO MARTÍRIO

Depois de nove meses de residência naquelas terras que havia conquistado para Cristo, tentou empreender a viagem para Gerona. Dispôs tudo o que considerou necessário para que ali se perpetuasse o ministério sacerdotal, indispensável ao regime e direção do povo fiel; e despedindo-se para sempre do novo rebanho que deixara educado, percorreu, na companhia de Félix, o longo e difícil caminho entre a Alemanha e Espanha, e depois de uma viagem de seis ou sete meses a pé e sofrendo todo o tipo de desconfortos e privações, chegaram a Gerona.

Suas ruas ainda estavam salpicadas com o sangue de mártires recentes, entre eles o intrépido diácono Félix, conhecido pelo nome de “O Africano”. O bárbaro Rufino alimentou-se da cidade de Gerona como um lobo faminto entre um rebanho de ovelhas tímidas.

Não é de surpreender, então, que ele tenha encontrado a igreja de Gerona bastante destruída por uma tempestade tão horrível, a ponto de muitos vacilarem na sua fé. O Santo procurou confortá-los, exortando todos a seguirem constante e mais firmemente os caminhos de Cristo.

São Narciso celebrava a Missa na presença dos fiéis quando irromperam os pagãos na cripta e, depois de dar morte a ele e ao diácono assistente, se lançaram contra os cristãos e fizeram entre eles horrível carnificina. Assim coroava o Santo Bispo sua larga e apostólica carreira.

Em seguida, reuniu os fiéis de ambos os sexos e contou-lhes como Jesus Cristo, pela sua graça e grande misericórdia, realizou a conversão de pecadores notáveis ​​e de uma multidão de pecadores em Augsburgo, como exemplo de penitência para todos, e para que a virtude seria exaltada entre os gentios. O povo de Gerona ouviu-o, derramando copiosas lágrimas e dando graças ao Senhor, que não permite que ninguém pereça, mas quer que todos abracem a penitência e obtenham o perdão dos pecados.

Entretanto, tendo abandonado estas terras o cruel prefeito Dácio e o seu delegado Rufino, em consequência da abdicação dos imperadores Diocleciano e Maximiano Hércules, o nosso Santo pôde manifestar o seu zelo apostólico, não só na zona de Gerona e Ampurias, mas também o estendeu também a outras terras da Espanha.

Ele passou dois ou três anos nessas aventuras sagradas. E ao mesmo tempo que gerava novos filhos para a Igreja Católica, aumentava o número dos seus inimigos declarados ou dissimulados, nos quais o ódio ao Cristianismo ainda não tinha sido extinto. Tendo, portanto, cessado a perseguição, que poderíamos chamar de oficial, não faltaram tentativas de perseguição popular, sustentadas pela aquiescência das autoridades imperiais ao fanatismo dos gentios.

E foi assim que concordaram em tramar a morte do Santo, quando ele estava em Gerona dedicado ao cuidado e à instrução solícita do povo de Gerona, cujo estado ainda era bastante triste, devido a estes resquícios de perseguição.

Quando chegou o dia em que se decidiu realizá-lo, algumas pessoas postaram-se nas sombras da noite para espionar o momento oportuno para realizá-lo. São Narciso entrava como habitualmente numa cripta ou no subsolo, fora dos muros da cidade, pois é provável que, nesses casos, este fosse o local de encontro e refúgio dos fiéis para a celebração de ritos sagrados, e assim túmulo também de todos eles. (Provavelmente onde se situa a antiga colegiada de São Félix, do lado direito da qual o Santo Bispo tem uma capela monumental que lhe é dedicada.) Assim que tudo estava preparado para o Santo sacrifício da Missa, e quando se preparava para celebrá-la, auxiliado pelo seu diácono Félix, os assassinos invadiram o cemitério, arrombando as suas portas, e dirigindo-se à capela, precipitaram-se para dentro dela com grande tumulto e encheram de insultos aqueles que rezavam diante do altar sagrado, explodindo em blasfêmias horríveis e dirigindo o Santo os mais injuriosos insultuosos. No meio de tanta confusão, os ímpios atacaram-no e, arrancando-o do altar, infligiram-lhe três feridas profundas, das quais morreu; decapitaram barbaramente o diácono e espalharam a desolação e a morte entre os fiéis ali reunidos.

Assim o Senhor coroou o valente atleta do cristianismo, o intrépido confessor de Jesus Cristo.

O CORPO DO SANTO. MILAGRE DAS MOSCAS

É muito natural que os cristãos, o mais rápido possível, dessem ao seu glorioso corpo um enterro decente, embora tentassem escondê-lo em um lugar seguro, a fim de preservá-lo da profanação de inimigos rancorosos, até que pudessem dar-lhe o culto devido. É também lógico que durante a invasão árabe do século VIII o seu corpo sagrado tenha permanecido escondido, uma vez que os habitantes do país não ignoravam as indignidades cometidas pelos muçulmanos durante a sua irrupção; eles sabiam, mesmo antes da conquista de Gerona, o que o destino lhes reservava face ao fanatismo e aos instintos brutais dos seguidores de Maomé.

Uma vez libertada Gerona em 785 pelos exércitos francos, presume-se que o culto ao santo mártir seria retomado, embora historicamente não tenhamos notícias até o século X, na época de Mirón (970-984) bispo de Gerona, quando ele foi encontrado prodigiosamente intacto. Isto também é sugerido alguns anos depois, em 1022, pelo célebre bispo de Vich e abade de Ripoll, Oliva, num admirável sermão panegírico que proferiu na igreja de São Félix por ocasião da festa do Santo. O testemunho irrefutável (1087) do bispo Berenguer Wifredo não deixa dúvidas, respondendo ao piedoso pedido de relíquias de São Narciso, que lhe foi feito pelos da cidade de Augsburgo: “Enviamos-te algo do vestido e da estola com que está coberto no túmulo o nosso glorioso Pai e Bispo São Narciso, Mártir de Cristo. Mas não podemos enviar-vos nada do seu santo corpo, porque até hoje ele está, pela graça de Deus, tão íntegro e incorrupto como no dia em que a sua alma voou deste século miserável para a paz eterna do Senhor”.

Até dois séculos depois, no ano de 1285, precisamente por ocasião da monstruosa profanação do corpo do Mártir pelos soldados do Rei de França, Filipe “O Atrevido”, não aparecem notícias certas e indubitáveis ​​sobre as relíquias do Santo. Neste ano, Gerona foi sitiada e finalmente tomada (5 de setembro), não pela força das armas, mas por causa da terrível fome que reinava na cidade, o exército franco, sob as ordens do referido rei, em luta aberta com o de Aragão, Dom Pedro III, entrou em Gerona. Os soldados dedicaram-se durante vários dias ao saque da cidade, “profanando os templos com os seus animais para aí permanecerem, chegando ao ponto de violar o túmulo de São Narciso, cujo corpo sagrado foi atirado ao chão e vilmente arrastado para fora do templo. Então aconteceu um insigne e famoso milagre, quando uma multidão de moscas apareceu de repente e matou muitos cavalos com suas mordidas”.

A verdade é que o poderoso exército invasor, apoderando-se da cidade e das suas regiões férteis, abandonou-a ao fim de dois meses, recuando em marchas forçadas e com ar de vergonhosa derrota.

O acontecimento repetiu-se em sucessivos locais, conforme atestado sob juramento, em 27 de Setembro de 1653, por alguns ilustres soldados franceses, denunciando que “enquanto estavam juntos em Santa Eugênia Sobrehorta em Gerona, onde o rei de França ou os seus ministros tinham sitiado contra a referida cidade de Gerona, uma grande multidão de extraordinárias moscas verdes e azuis os atacou, o que matou mais de dois mil cavalos franceses, que, ao serem picados pelas referidas moscas, ficaram com raiva e morreram furiosos”. Não faltam dados dos sítios de 1675, 1684 e 1710, até ao memorável acontecimento ocorrido em 1809 durante a Guerra da Independência.

Na tarde do dia 29 de outubro deste ano, realizou-se a costumeira procissão em homenagem ao Santo “sem a menor desordem, como se a cidade não estivesse cercada de baterias e inimigos, e ainda assim, desde a montanha de Montjuich os franceses faziam carregarar tiros de rifle durante todo o dia em algumas ruas por onde acontecia a procissão. Várias vezes durante a viagem, no meio de um silêncio solene e impressionante, vários dos piedosos participantes foram vistos caindo mortos ou feridos, mas sem grito, sem lamento, que foram, sem qualquer ruído, imediatamente retirados, enquanto a procissão continuava o seu curso.

PATRONO DA CIDADE E BISPADO DE GERONA, GENERALÍSMO E PROTETOR ESPECIAL DA CATALUNHA

 Quem se surpreenderia, então, com o fato de a devoção do povo de Gerona a São Narciso ser tantas vezes secular? Quem ficará surpreso ao vê-lo já invocado em 1387 como Padroeiro da cidade, e que mais tarde Sua Majestade o Rei Carlos II, que “tinha particular devoção e veneração ao Santo e um grande desejo de ver aumentados os seus domínios e senhorios, conseguisse da Sagrada Congregação estender a festa de São Narciso a todos os reinos sujeitos à Coroa de Espanha? Quem negará que é altamente comovente a história dos apelos dos Jurados da cidade diante da imagem do Santo por ocasião do cerco de Gerona em 1684, assim como o testemunho de gratidão expresso numa ata capitular do mesmo ano é muito notável? Quem, finalmente, não assinaria o acordo do Conselho Superior do Principado da Catalunha, reunido em congresso na cidade de Manresa, com todos os representantes dos Corregimentos e partidos da Catalunha, pelo qual concordaram com voto unânime, em uma sessão realizada em 24 de novembro de 1809, não só aprova a nomeação que Gerona havia feito em julho do ano anterior, de Generalíssimo e Protetor da mesma, mas também o nomeia Generalíssimo e Protetor especial de todo o Principado, ou que não o faria subscreve o pedido que fez o bispo da diocese no pontificado de Pio IX, pelo qual São Narciso foi declarado o principal Padroeiro do bispado?

Nenhum espanhol deixaria de admirar com grandes aplausos, na antiga colegiada de São Félix de Gerona, a magnífica e grandiosa capela de São Narciso, toda em severo mármore e jaspe, presidida pelo altar-sepulcro do Santo, revestido de prata em substituição às demais pedra que ainda se conservam, todas construídas pelo fervor do povo com as autoridades responsáveis. Entrar nela é entrar num relicário de fé e de patriotismo, pois de cada lado dela está, como sentinelas sempre de guarda, o túmulo do invicto Álvarez de Castro, muito devoto, aliás, do Santo, e que das gloriosas heroínas de Santa Bárbara, todas mártires da sua própria honra e da honra de Espanha.

Por todas estas razões, leitor devoto, se algum dia tiveres a sorte de prostrar os joelhos diante da imagem do Bispo Mártir, remate do sagrado sepulcro que em 1936 os sem Deus e sem Pátria deixaram vazios de relíquias, não esqueças o refrão da letra popular:

Mártir de coragem invicta,

Honra deste Principado,

Narciso, amável advogado,

Atendei nosso clamor…

que é uma oração pela nossa Mãe, a Igreja Católica, e pela Espanha católica.

 (EDELVIVES, El Santo de cada dia: ano 1946, pp. 592-601)

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