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SÃO PLÁCIDO E SEUS COMPANHEIROS

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SÃO PLÁCIDO E SEUS COMPANHEIROS

Abade beneditino, e Companheiros Mártires (+ 541)

Comemoração

Nos pais de Plácido, a nobreza do sangue, da piedade e da fé combinavam-se maravilhosamente com a mais compassiva caridade para com os infelizes, a quem consideravam como seus próprios filhos. Seu pai, o patrício Tértulo, talvez descendente da família Aniciana e ocupava o cargo de prefeito de Roma no início do século IV; sabe-se também que sua mãe era de origem nobre e descendência ilustre. Apesar da sua condição de senador romano numa época em que o país estava sujeito ao ariano Teodorico, rei dos ostrogodos, Tértulo, que frequentava igrejas e mosteiros católicos, queria que o seu filho Plácido fosse instruído e educado na mesma religião.

Naquela época, senhores da mais alta posição social, guerreiros ilustres, gente humilde da cidade e bárbaros das regiões mais remotas afluíram ao deserto de Subiaco, a cerca de sessenta quilômetros de Roma, para aprender a trilhar o caminho da penitência e da virtude, guiados pelo ilustre São Bento, patriarca da vida monástica nas regiões ocidentais.

A fama deste servo de Deus espalhou-se por toda a Itália. Pessoas ilustres, ricas e piedosas, levavam os filhos ao santo eremita, para que ele os ensinasse desde a mais tenra idade, segundo estudados regulamentos da vida cristã e, para alguns, da vida religiosa. Tal foi o comportamento de um patrício romano, amigo de Tértulo, chamado Equitius; ele havia confiado seu filho Mauro aos cuidados do ilustre monge.

NA ESCOLA DE SÃO BENTO

Quando Plácido completou sete anos, em 522, seu pai o levou para Subiaco; prostrou-se respeitosamente aos pés de São Bento e implorou-lhe que se dignasse a contar o seu filho entre o número dos seus discípulos. O servo de Deus concordou de bom grado com este desejo, e o menino se esforçou para seguir os atos comunitários na medida em que suas forças o permitiam; Despertou a admiração dos religiosos mais antigos, sobretudo pelo seu fervor e obediência. São Bento, que o apreciava e professava carinho terno e religioso, tomou-o como companheiro em circunstâncias memoráveis.

SALVO MILAGROSAMENTE

Oitenta quilômetros a sudoeste de Roma, na cordilheira onde o Anio atravessa o profundo desfiladeiro que separa Sabinia do país outrora habitado pelos ecuos e hernicos, o viajante que caminha rio acima chega a uma espécie de bacia entre duas enormes paredes rochosas, de onde corre um riacho de água doce e cristalina, de cachoeira em cachoeira, até o lugar chamado Subiaco.

Este lugar grandioso e encantador já atraiu fortemente a atenção de Nero, que mandou construir barragens para reter as águas do Anio e, ao pé daqueles lagos artificiais, mandou construir balneários e uma encantadora vila, que recebeu por isso o nome de Sublaqueum – hoje Subiaco – e do qual ainda restam ruínas. O imperador residia ali algumas vezes… Neste mesmo lugar, quatro séculos depois, quando a solidão e o silêncio há muito substituíram às orgias imperiais, São Bento encontrou o refúgio e a solidão desejada.

A cela de Plácido, que na época tinha 15 anos, ficava acima do lago. Um dia, quando o jovem foi tirar água, devido ao peso, acabou caindo e a correnteza rápida logo o levou para longe da costa. São Bento estava em sua cela e sabia por revelação divina do perigo iminente que Plácido corria.

Bossuet, no seu panegírico de São Bento, diz a este respeito: “São Bento chama o seu fiel discípulo Mauro e ordena-lhe que venha rapidamente em socorro do menino Plácido. Dócil à palavra de seu mestre, Mauro chega ao lago e, cheio de confiança na ordem recebida, caminha destemidamente pelas águas com tanta confiança como se estivesse na terra firme, e retira Plácido do abismo que estava prestes a engoli-lo. Qual é a causa de um milagre tão estupendo? O poder da obediência ou a força do mandamento? Pergunta importante para São Bento e São Mauro – diz o Papa São Gregório a quem devemos esta história –; mas acrescentemos, simplesmente decidindo, que a obediência traz consigo a graça para que o mandamento tenha o seu efeito, e que o mandamento dê eficácia à obediência. Sempre que alguém caminha sobre as ondas, por obediência, encontrará estabilidade em meio à inconstância das coisas humanas. As ondas não poderão derrubá-lo, nem os abismos poderão submergi-lo; tal pessoa permanecerá imutável e sairá vitoriosa de todas as mudanças temporais.”

Com efeito, sabemos pela história de São Gregório que o humilde São Mauro atribuiu este portentoso milagre ao seu diretor São Bento, mas ele, por sua vez, não viu nele senão um efeito da obediência do seu discípulo.

Plácido, porém – o protagonista deste episódio – disse que, quando estava prestes a se afogar, o santo abade segurou sua mão para que ele não afundasse na água. Seu testemunho comprova, portanto, que São Mauro foi o instrumento que São Bento utilizou para realizar o milagre.

A lagoa do Subiaco desapareceu há muito tempo, quando as barragens cederam sob a pressão da torrente; mas no local que testemunhou o prodígio existe uma capela dedicada a São Plácido.

O MONTE CASSINO

Não demorou muito para que São Bento sofresse perseguições de um clérigo invejoso e de outras pessoas que, nada podendo fazer contra ele, decidiram armar esquemas muito perigosos para a virtude de seus jovens discípulos. Diante disso e olhando, sobretudo, para a inocência dos seus filhos espirituais, o santo solitário decidiu abandonar aqueles lugares; Plácido, Mauro e os demais jovens religiosos o acompanharam.

Pararam num local completamente diferente de Subiaco, mas onde a alma se sente dominada pela grandeza e majestade da natureza. Ali, nas fronteiras de Sâmnio e Campânia, no centro de uma ampla ravina cercada, em parte, por alturas íngremes e pitorescas, ergue-se uma montanha isolada e abrupta, cujo cume extenso e arredondado domina ao mesmo tempo o curso do Liris, a planície ondulante que se estende para o sul em direção à costa mediterrânea, e os vales estreitos que entram nos outros três lados nas dobras do horizonte montanhoso: é o Monte Casino… No centro daquela natureza majestosa e solene, naquele cume predestinado, o patriarca dos monges do Ocidente fundou a capital da Ordem monástica.

VISITA DE TÉRTULO

O Monte Casino, a nova casa dos monges, pertencia a Tértulo, pai do nosso Santo. O patrício ficou muito feliz ao saber que São Bento e os monges estavam se instalando em suas terras. Pediu ao santo patriarca, através de seu filho, permissão para visitar a nova fundação e, tendo-a obtido, partiu na companhia de Equício e outros amigos.

Plácido saiu com São Bento e São Mauro ao encontro dos ilustres viajantes, que deram aos Cenobitas claras provas de estima e respeito. Os ilustres convidados permaneceram alguns dias em sua companhia e, nesta ocasião, Tértulo fez a doação ao mosteiro das consideráveis ​​propriedades que possuía naquela região; depois, a pedido do filho, acrescentou as grandes posses que possuía na Sicília, com as suas quintas, dependências e pessoal encarregado do seu cultivo e administração.

Depois de terem realizado tão belas obras de caridade, os generosos benfeitores regressaram a Roma; Plácido, por sua vez, retomou os estudos e exercícios de governo com mais ardor e entusiasmo.

OS MILAGRES DE CÁPUA

Alguns anos se passaram quando chegou ao Monte Casino a notícia de que pessoas ambiciosas estavam devastando os bens que Tértulo lhes havia legado na Sicília e cujos rendimentos os monges beneditinos utilizavam para novas fundações de mosteiros e para o desenvolvimento da Ordem.

São Bento pensou que Plácido, filho do doador, era o mais indicado para visitar os colonos, pelo que lhe confiou a missão de ir garantir o respeito dos seus direitos.

O Santo saiu acompanhado de dois religiosos. Foi primeiro a Cápua, onde recebeu a benevolente hospitalidade do Bispo São Germano; durante esta viagem, segundo os historiadores, Deus dignou-se exaltar o seu humilde servo e manifestar a sua santidade através de milagres portentosos.

O chanceler da referida Igreja sofria há muito tempo de fortes dores de cabeça. Ao saber que Plácido estava na cidade, foi vê-lo e lançou-se aos seus pés, dizendo:

– Eu te conjuro, ó Plácido! servo de Deus onipotente, pelo reverenciado nome de teu piedoso mestre Bento, que se digne a colocar as mãos sobre minha cabeça, e peça por mim ao Redentor e Salvador do mundo, já que eu acredito firmemente que assim recuperarei a minha saúde.

Plácido, assustado ao ouvir tais palavras, quis dissuadir o chanceler, assegurando-lhe que era apenas um pecador que precisava das orações dos outros; contudo, o doente persistiu nas suas orações e, tendo invocado o nome de Nosso Senhor, Plácido curou-o da sua doença.

A notícia deste milagre chegou aos ouvidos de um cego de nascença que pedia esmola nas ruas de Cápua; implorou para ser levado diante do Santo, que, ao ver este infeliz, derramou abundantes lágrimas e, invocando o nome do Divino Salvador, traçou o sinal da cruz sobre os olhos opacos do pobre infeliz que, imediatamente, abriu os olhos à luz.

Nosso Santo foi por toda parte fazendo milagres estupendos; mas, por humildade, atribuiu-os todos ao seu santo patriarca.

O RELIGIOSO PERFEITO NA SICÍLIA

Os três monges continuaram caminhando em direção ao estreito e, depois de atravessá-lo, desembarcaram em Messina. Um nobre local recebeu o filho de seu antigo amigo com os maiores sinais de respeito; ele encarregou seu próprio filho de reunir os colonos e intendentes das possessões de Tértulo em Messina. Por mais que aquele senhor lhe pedisse que passasse alguns dias em sua casa, ele não conseguiu; pois era máxima do nosso Santo que os monges nunca deveriam parar nas casas dos leigos.

No dia seguinte Plácido saiu em busca de um local favorável para a construção de um mosteiro; ele próprio marcou o local da capela, mandou chamar o intendente do posto de Messina e ordenou-lhe que utilizasse para esse fim o dinheiro que recebera para a administração dos bens de seu pai. Reunidos numerosos obreiros, o Santo abençoou os alicerces da igreja que dedicou a São João Batista e utilizou o resto do tempo no cumprimento dos deveres da sua missão. Ele impôs a todos aqueles que se estabeleceram nas posses de Tértulo ou que ali trabalharam a única obrigação de prover às necessidades do mosteiro.

Plácido revelou-se um discípulo perfeito de São Bento na Sicília e implantou profundamente o seu espírito e domínio no mosteiro que fundou. A sua única aspiração era o desapego dos bens terrenos, e o tema habitual da meditação ou da pregação, o conselho do santo Evangelho, que diz: “Quem não renuncia a tudo o que possui não pode ser meu discípulo”. Mas não perdeu a oportunidade de lembrar aos ricos o preceito de Nosso Senhor Jesus Cristo a respeito da esmola: “Quem tem duas túnicas, dê uma a quem não tem nenhuma”.

Ele tinha apenas vinte anos e, apesar da saúde debilitada e da pele delicada, trabalhava incansavelmente; quando o cansaço excessivo o obrigava a buscar um pouco de consolo, ele adormecia numa cadeira muito dura e sem encosto. Sua roupa íntima consistia em um cilício; nunca provou vinho; além disso, durante a Quaresma ele não se contentava com os jejuns e a abstinência da Igreja, e passava vários dias sem comer nem beber.

Um homem tão duro consigo mesmo, mas que sempre foi gentil com os outros. Atendia de forma rápida e solícita a todos que solicitavam ajuda ou cuidado, e o fazia com tanta gentileza e doçura que não se sabia mais o que agradecer, o serviço prestado ou a graciosidade encantadora com que o prestava.

Uma das coisas que mais admiravam nele era a prudência requintada, inadequada para a sua juventude, com que governava homens que haviam entrado na maturidade da vida, e de caráter e temperamento diferentes; pois, segundo uma regra muito difundida e geralmente bem fundamentada, o dom de governar adquire-se com a experiência que vem com a idade e com o conhecimento do coração humano que só se consegue estudando as paixões e as fraquezas do homem.

REUNIÃO DA FAMILIA

A construção da igreja e do mosteiro durou quatro anos. O bispo de Messina fez a dedicação solene. Numerosos jovens das famílias mais ilustres do país, conquistados pelo zelo e pela santidade de Plácido, alistaram-se entre os seus discípulos e reuniram-se e consagraram-se ao serviço da Igreja de Deus.

Naquela época, dois de seus irmãos mais novos, Eutíquio e Vitorino, que nunca o tinham visto, e sua irmã Flávia, fizeram a viagem de Roma à Sicília para visitá-lo e aproveitar o exemplo de suas eminentes virtudes, também era provável que foram atraídos pela festa da Dedicação, que naquela época era a principal solenidade litúrgica, bem como para tratar de muitos interesses materiais que a sua família tinha na ilha. Pode-se imaginar a alegria que o jovem Plácido sentiu no coração ao abraçar e conversar com seus irmãos. Parece que sempre manteve relações ininterruptas com a família, como comprovam as visitas do pai a Subiaco e ao Monte Casino.

INVASÃO DOS SARRACENOS

Algum tempo depois ocorreu uma invasão de inimigos, pouco estudada pelos biógrafos posteriores do nosso Santo, mas que tem lugar e pode ser colocada na História Universal. Os sarracenos do Norte de África sempre se mostraram piratas astutos, independentemente do governo que mandava no seu país. Durante muito tempo, os pescadores da ilha de Djerba, na Tunísia, exerciam também tão lucrativa profissão, assim como o fizeram os rifenhos de Marrocos, piratas no século 19. Não é de surpreender, então, que, nos anos de 540, um poderoso esquadrão dessas más pessoas realizassem uma operação desse tipo na Sicília; sabemos, por outro lado, que, precisamente nessa época, os sarracenos da África estavam em guerra com o imperador Justiniano, que tentava, por mar e por terra, restabelecer a sua autoridade sobre as províncias que havia perdido na África e no sul da Itália.

Estas explicações pareceram-nos necessárias para compreender que tal expedição é possível quando todas as costas do Mediterrâneo dependiam de governos cristãos, mas os francos dominavam a Gália, os visigodos na Espanha, os ostrogodos na maior parte da Itália, e os gregos de Constantinopla no resto da Península itálica e no norte da África.

Dizíamos, pois, que, nos anos de 540, um importante esquadrão, propriedade do mouro Abdalá e liderada pelo seu tenente Manuca, desembarcou, de surpresa, no porto de Messina. Os piratas então entraram nas terras e atacaram o mosteiro durante a noite, quando os monges iam cantar as Matinas.

O MARTÍRIO

Os religiosos foram presos e, acorrentados, apresentados diante do chefe da expedição.

Plácido caminhava na frente, acompanhado pelos seus dois irmãos e de sua irmã; seguiam depois dois diáconos, e finalmente trinta monges beneditinos; no total trinta e seis pessoas.

Com gente tão brutal, o interrogatório não podia durar muito tempo; contudo, aproveitou-se Plácido para fazer a apologia da religião cristã, o que lhe valeu, assim como aos companheiros, uma cruel flagelação.

Como todas as propostas de apostasia foram respondidas com o mesmo desprezo e a hora do martírio ainda não havia chegado para eles, os confessores da fé foram encerrados numa masmorra sombria onde sofreram dificuldades incalculáveis. Pretendiam levá-los para África, mas o estado tempestuoso do mar impediu-os de o fazer; permaneceram, portanto, na prisão durante oito dias, sofrendo fome e maus tratos contínuos.

Outro dia, pendurados pelos pés, foram cruelmente chicoteados, sobre uma fogueira que exalava uma fumaça espessa e fétida; mais uma vez a morte respeitou os valentes atletas de Cristo.

Como ameaças, promessas e lisonjas se revelaram inúteis para superar a sua perseverança e separá-los do amor de Jesus Cristo, foram novamente açoitados duas vezes. Eles os deixaram sem vida na praça, depois voltaram e os levaram de volta para a prisão. O terrível corsário ordenou então que os lábios de Plácido fossem cortados e suas mandíbulas despedaçadas com uma pedra dura, e sua língua arrancada até a raiz; mas, com surpreendente prodígio, o líder dos mártires continuou falando com uma voz mais clara e sonora do que nunca. Finalmente, depois de ter passado a noite inteira ao ar livre com enormes pesos nas pernas, o corsário ordenou que fossem cortadas as cabeças de todos.

Eles foram levados para a beira-mar, local designado para a execução da tortura. Quando chegaram lá, caíram de joelhos e ofereceram o sacrifício de suas vidas a Deus. O martírio destes confessores da fé ocorreu no dia 5 de outubro dos anos 539 ou 541.

Plácido teria então vinte e cinco ou vinte e seis anos. Após a partida dos bárbaros, os cristãos deram aos mártires um enterro honroso e, aos poucos, prestaram-lhes culto religioso. Desde Sixto V, o Breviário romano celebra sua festa em 5 de outubro.

As preciosas relíquias foram encontradas em 1586, durante o pontificado de Sixto V. Na grande família beneditina, São Plácido ostenta o glorioso título de protomártir da Ordem.

 

(EDELVIVES, El Santo de cada dia: ano 1946, pp. 353-361)


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