ADMINISTRAÇÃO APOSTÓLICA

Na Sagrada Escritura, a Bíblia, uma verdadeira biblioteca de livros inspirados por Deus, temos, entre outros, os livros sapienciais, cheios de sabedoria, como diz o próprio nome: Jó, Salmos, Provérbios, Eclesiastes, Cântico dos Cânticos, Sabedoria e Sirácida.

O livro de Jó é uma narrativa didática, baseada na “história” de Jó, onde aprendemos a paciência ou resiliência, a sabedoria de Deus e nosso comportamento diante dele.

Jó era um homem riquíssimo, que sofreu uma grande provação: por permissão de Deus, perdeu os seus bens e sua saúde. Ele tudo suportou com paciência: “Nu, saí do ventre de minha mãe e nu, voltarei para lá. O Senhor deu, o Senhor tirou; como foi do agrado do Senhor, assim aconteceu. Bendito seja o Nome do Senhor!” (Jó 1, 21).

E, para aumentar seu sofrimento, sua mulher, ao invés de servir-lhe de amparo e consolo, como deve fazer toda esposa na hora da dor do marido, pisava ainda mais sobre o pobre sofredor: “Ainda continuas na tua integridade? Amaldiçoa a Deus, e morre!” Jó lhe respondeu:… ‘Se recebemos de Deus os bens, não deveríamos receber também os males?’ E com tudo isso, Jó não pecou com seus lábios” (Jó 2, 9-10). < /p>

E para maior sofrimento de Jó, os amigos que vieram visita-lo, aumentaram sua dor como suas perguntas sobre o sofrimento de um inocente.

O livro de Jó é uma grande reflexão sobre o sofrimento e sua razão de ser, perguntas que sempre inquietam o ser humano.

O Papa São João Paulo II procura explicar “quanto é importante a pergunta sobre o sentido do sofrimento e com que acuidade se devam tratar, quer a mesma pergunta, quer as possíveis respostas a dar-lhe. O homem pode dirigir tal pergunta a Deus, com toda a comoção do seu coração e com a mente cheia de assombro e de inquietude; e Deus espera por essa pergunta e escuta-a, como vemos na Revelação do Antigo Testamento. A pergunta encontrou a sua expressão mais viva no Livro de Jó”…

Diante dos argumentos dos seus amigos, “Jó contesta a verdade do princípio que identifica o sofrimento com o castigo do pecado; e faz isso baseando-se na própria situação pessoal. Ele, efetivamente, tem consciência de não ter merecido semelhante castigo; e, por outro lado, vai expondo o bem que praticou durante a sua vida. Por fim, o próprio Deus desaprova os amigos de Jó pelas suas acusações e reconhece que Jó não é  culpado.

O seu sofrimento é o de um inocente: deve ser aceite como um mistério, que o homem não está em condições de entender totalmente com a sua inteligência”.

“O Livro de Job não é a última palavra da Revelação sobre este tema. É um anúncio, de certo modo, da Paixão de Cristo… O Amor é ainda a fonte mais plena para a resposta à pergunta acerca do sentido do sofrimento. Esta resposta foi dada por Deus ao homem na Cruz de Jesus Cristo” (Carta Apostólica Salvifici Doloris, 11).

             Dom Fernando Arêas Rifan, Bispo da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney

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